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SEX AND THE CITY 2

Posted by Clenio on 10:53 in

A crítica caiu matando, mas vamos e venhamos; quem vai assistir a "Sex and the city 2" para prestar atenção em movimentos de câmera, elocubrações psicológicas complexas, preocupações sociais e/ou atuações densas provavelmente deveria esperar o Festival Varilux de Cinema Francês que começa no próximo dia 03 de junho - e que, entre outros filmes que prometem, deverá apresentar o esperado (pelo menos por mim) "O profeta". O fato é que a segunda parte das aventuras cinematográficas de Carrie Bradshaw (agora Preston) e suas amigas é um filme feito única e exclusivamente para fãs de extinta e saudosa série de TV e, como tal, é um presente luxuoso e vistoso. Pode não ter profundidade, mas será que mulheres que se derretem ao ver uma bolsa Birkin ou uma roupa Dior estavam preocupadas com isso quando compraram seus ingressos?

Antes que as feministas reclamem do sexismo da afirmação acima é preciso que elas assistam ao filme. Poucas vezes o cinema foi tão, mas tão mulherzinha quanto em "SATC 2". Closes de corpos masculinos sarados, homens viris e sedutores, figurinos extravagantes, situações românticas/sentimentais/sexuais vistas pelo âmbito feminino são os ingredientes aqui. Tudo bem, também o eram na série, mas menos exagerados do que aqui. A boa notícia é que, pra quem gosta do gênero em geral e da série em particular não há nada do que reclamar (talvez apenas da cara feia dos namorados, que provavelmente vão detestar cada um dos 146 minutos de sua duração).

Para quem assistia à série e correu aos cinemas para ver o primeiro filme sabe como a história começa: Carrie (Sarah Jessica Parker) está casada há dois anos com o grande amor de sua vida, Mr. Big, já denominado corretamente de John Preston (Chris Noth) e passa por um período de tédio em seu relacionamento; Samantha (Kim Cattrall, surpreendentemente a mais rejuvenescida do filme) está no período da menopausa, engolindo hormônios como se fossem feijão e buscando a libido perdida; Miranda (Cynthia Nixon) está em crise profissional e pede demissão; e Charlotte (Kristin Davis) finalmente está começando a perceber que a vida doméstica não é tão cor-de-rosa quanto ela imaginava, além de sofrer com a possibilidade de ver a babá de suas filhas seduzindo seu marido. No meio de todos esses tormentos, quando surge a oportunidade de todas elas viajarem - com tudo pago - para o Oriente Médio, elas não pensam duas vezes e embarcam para um merecido descanso de uma semana. Lá, em meios ao exotismo de uma nova cultura - cuja gritante diferença com o Ocidente proporciona algumas ótimas piadas -, Carrie dá de cara com Aidan (John Corbett), seu ex-namorado, que a balança novamente.

Assim como aconteceu na primeira parte cinematográfica da saga de Carrie e suas comparsas, "SATC 2" é um episódio bastante alongado da série. Está tudo aqui; o humor politicamente incorreto, o luxo e o glamour dos figurinos de Patricia Field, as participações especiais (Myley Cyrus e Penelope Cruz) a excelência da química entre as protagonistas, as inúmeras referências ao universo feminino/gay (até Liza Minelli tem um momento de brilho...). Pra quem gosta é um prato cheio. Pra quem não tem paciência, é uma experiência torturante. Escolha seu time!

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YOUR CONGRATULATIONS

Posted by Clenio on 11:24 in ,

Sim, tudo que eu fiz foi pra te agradar. Me anulei, engoli em seco suas provocações, mantive todos os meus desejos adormecidos porque despertos eles te assustavam. Fingi ser forte e inquebrantável pra não te deixar culpado. Jamais chorei na sua frente. Dei nós gigantescos na minha cabeça tentando entender suas dúvidas. Cedi sempre porque era assim que eu tinha a minha recompensa: seu corpo a meu lado na cama. Seu sorriso estampado na minha memória. Seu beijo na minha boca. Seus telefonemas. Seus torpedos. Seus emails. Seus recados no Orkut. Seu perfume no meu travesseiro. Suas piadas infames mas extremamente engraçadas - pelo menos pra mim.

Minha corrida pra te ver feliz, como cantava Cazuza, não tinha podium de chegada, mas tinha beijos... e eles me eram suficientes para inspirar maratonas. Eu não conquistava impérios, nem derrotava monstros de mil cabeças, mas conquistava seu abraço, e ele me empurrava na direção a quaisquer desafios. Eu não salvava vidas, mas impedia meu coração de parar de bater quando te via e ele parecia querer saltar de dentro do peito. Eu lutei por seu amor, como cantava Marina Lima, mas admito que perdi.

E tudo que eu fizer, sempre, pra sempre... será pra receber seus cumprimentos e seus abraços amistosos, que hoje são o mais perto que eu posso chegar de uma felicidade, ainda que fugidia. Sua aprovação, seu carinho, sua amizade... são reservas de alegria que eu guardo cuidadosamente e utilizo com parcimônia para aquecer minha alma. Não sou infeliz porque não te tenho mais. Sou feliz porque um dia te tive.

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40 ANOS DE GLÓRIA

Posted by Clenio on 11:37 in

Uma das atrizes de maior destaque no cenário nacional, Gloria Pires está comemorando 40 anos de uma carreira brilhante que começou pra valer na adolescência, vivendo a rebelde Marisa de "Dancin' days" - seu teste com Sônia Braga foi tão perfeito que poderia ter ido ao ar, conforme relato do diretor Daniel Filho. Em homenagem àquela que é considerada um exemplo de profissionalismo e dedicação, a Geração Editorial está lançando "40 anos de Glória", onde Eduardo Nassife e Fabio Fabricio Fabretti relembram sua vitoriosa trajetória com depoimentos exclusivos daquela que proporcionou, nessas últimas décadas, algumas das mais inesquecíveis personagens da TV brasileira.

Dona de traços e personalidade fortes, Gloria conta, no livro, suas lembranças a respeito de sua vida pessoal - ainda que muito vagamente - e profissional. É bastante interessante - para quem gosta do assunto, obviamente - ler suas memórias sobre alguns dos mais importantes momentos de sua carreira. Ela fala com carinho e saudade dos tempos de "Dancin' days" - quando iniciou uma forte relação de amizade com Lauro Corona -, elege "Vale tudo" como a melhor novela da qual participou - e o público e a crítica concordam -, fala do carinho do público mundial a respeito de "Mulheres de areia" - que parou Cuba e a Rússia - e tece elogios rasgados a Daniel Filho, com quem tem uma relação de respeito profissional e pessoal desde seu início na Rede Globo e que a dirigiu em seus maiores sucessos no cinema, os dois filmes da série "Se eu fosse você".

Apesar da merecidíssima homenagem, no entanto, o livro em si é uma decepção. Não é exatamente uma biografia - é extremamente superficial em vários aspectos - e como homenagem poderia ser mais emocionante. Ao passar ao largo de momentos crucias na vida de Gloria - seu casamento com Fábio Jr., o boato de que teria cometido suicídio ao saber de um pretenso romance entre sua filha Cleo e o marido Orlando Morais - o livro opta por deixar de lado qualquer objetividade para ficar no terreno do óbvio e do corriqueiro. Tudo bem que sua intenção primordial é relembrar os muitos momentos geniais de Gloria como atriz e não dar espaço a polêmicas e fofocas, mas isso faz com que o resultado final fique muito aquém do esperado e do merecido por uma atriz da estatura de Gloria.

Gloria Pires é, indubitavelmente, uma das maiores atrizes brasileiras, capaz de dar vida a Ana Terra, Maria Moura, Maria de Fátima Accioly e as gêmeas Ruth e Raquel com a mesma desenvoltura com que cuida da extensa família e do sólido casamento que já dura 22 anos. Por isso mesmo, ela merecia mais do que um livro caprichado no visual e quase oco no conteúdo. 40 ANOS DE GLÓRIA é o típico livro para se guardar autografado na estante, mas que não se sustenta como literatura. Uma pena!

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O QUE TE FAÇA FELIZ

Posted by Clenio on 12:10 in

Matt é um homem de 34 anos que trabalha como editor de uma revista masculina chamada "Bolas!", tem uma vida social ativa e se diverte tendo noitadas quentes com mulheres com idade bem abaixo da dele. Paul tem a mesma idade, é gay e vive em um apartamento com outros homens da mesma situação que ele, além de ter um relacionamento estável e fazer parte - ainda que de forma sui generis - de uma família bastante moderna. Daniel é um rapaz judeu que abandonou seu país natal, a Inglaterra, para viver na Escócia, onde tenta esquecer o traumático fim de sua relação com a mulher que ama. Esses três homens, que de certa forma, fogem dos padrões idealizados pelas mães, são vítimas, no livro "O que te faça feliz" (Ed. Record) de uma invasão abrupta de suas intimidades e de suas vidas por pessoas que não tem exatamente muita imparcialidade ao lidar com eles: suas mães. Carol, Helen e Gillian, amigas próximas, resolvem mudar-se de mala e cuia para as casas dos filhos, com o objetivo claro de "consertar as coisas". Carol quer arrumar uma mulher de verdade para Matt; Helen quer que Paul assuma sua homossexualidade para ela e Gillian sonha encontrar uma boa esposa judia para seu único filho. O sonho das três, no entanto, é um só: ver seus rebentos felizes.

Escrito por William Sutcliffe (casado com a escritora Maggie O'Farrell), "O que te faça feliz" é um livro delicioso, escrito com a verve sarcástica e repleta de um calor humano de que somente obras de escritores ingleses da geração de Nick Hornby são capazes (e nesse rol inclui-se também Tony Parsons). Mesmo que aparentemente seja apenas mais uma leitura rápida e sem maiores intenções do que divertir e descansar o cérebro, é uma obra com uma certa profundidade que, se não é capaz de provocar epifanias, ao menos consegue uma identificação imediata com o leitor. É pouco provável que os homens que se propuserem a embarcar na jornada das três mães coragem não se vejam em pelo menos um dos protagonistas masculinos da história (se não nos três, como foi meu caso). O alto teor de humanismo injetado por Sutcliffe em suas personagens faz com que mesmo suas ações mais insanas soem verossímeis e melhor ainda, ele tira um humor saudável e quase melancólico delas.

"O que te faça feliz" não desmente a teoria que diz que os homens demoram mais para amadurecer do que as mulheres. Mas pelo menos ele é simpático à causa e não enche de culpa aqueles que preferem uma televisão com milhares de controles remotos do que um filho...

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UM EX-"MELHOR AMIGO"

Posted by Clenio on 13:06 in


Quem já passou por isso há de concordar comigo. Mais triste que o fim de um namoro é o fim de uma amizade. Um namoro, bem ou mal, já nasce sob a certeza de que um dia acabará. Só mesmo otimistas incorrigíveis - e aqueles com memória curta - são capazes de acreditar realmente que um namoro é pra sempre. No entanto, uma amizade - ao menos aquelas que julgamos verdadeiras - tem sempre aquela aura de eternidade que, quando destruída, é capaz de jogar qualquer um em um abismo de dúvidas e elocubrações pouco agradáveis e muitas vezes assustadoras.

É desagradável perceber, por exemplo, que você dispendeu preciosos anos da sua vida tentanto construir uma relação de confiança e intimidade com alguém que confunde essas palavras com licensiosidade e falta de respeito. Que você suportou bravamente intromissões inaceitáveis em sua vida amorosa, sexual, financeira e familiar de forma unilateral - porque, ao contrário de seu "melhor amigo", você respeitava limites. Não é nem um pouco feliz notar que as risadas que muitas vezes vocês deram juntos não era COM você e sim DE você.

É assustador começar a ter a certeza a cada dia maior de que você era apenas uma pessoa a mais na vida daquele que se dizia seu melhor amigo. Que ele conviveu com você durante anos mas nunca realmente o viu; que ele dormia no quarto ao lado do seu mas mantinha uma distância quilométrica em termos de uma relação real; que ele provavelmente só se sentia em paz e tranquilo quando você estava no centro de um furacão emocional devastador.

Dá um certo medo lembrar de situações em que estava claro com quem você estava lidando, mas que mesmo assim você não prestou atenção a seu sinal de alarme. Coisas que seriam imperdoáveis em outras pessoas mas que, por um motivo ou outro, você considerava passíveis de compreensão nele agora parecem monstros que o perseguem dia e noite. Certas dúvidas tornam-se certezas e você fica com aquela sensação indescritível de que sua importância na vida do seu melhor amigo é a mesma que ele dá a uma roupa que um dia foi linda mas que hoje é apenas isso - uma roupa que você usa no dia-a-dia e à qual não se dá o menor valor agora que perdeu a utilidade.

Você realmente acreditava que pelo menos essa relação seria pra sempre em sua vida. Acreditava que havia dado motivos o bastante para provar sua amizade, mas de repente percebe que tudo foi inútil, insuficiente e vão. Ou melhor ainda - ou pior, dependendo do ponto de vista - que seu "melhor amigo" não tem a força na personalidade que você achava que ele tinha. Aliás, você passa a descobrir que não só ele não tem a personalidade forte que você julgava que ele tinha - ele também sabe ser grosseiro, injusto, ingrato e transmitir uma imagem de vítima que sempre o acusou de ter. Vai confiar em alguém mais depois de tudo isso?

Sim, romances quando acabam fazem aflorar nos amantes lados que nem mesmo eles se saberiam possuidores - e eu não sou diferente, tenho pena da vítima dos meus ataques pós-rompimento (I love you, by the way) - mas descontar pés-na-bunda nas pessoas que em tese poderiam lhe ajudar a superar o trauma não me soa honesto nem tampouco inteligente. Cada um lida de um jeito com a dor da perda, mas fingir uma alegria oca não me parece uma tática válida, assim como não o é tentar consertar erros cometendo outros ainda maiores. Amores vem e vão, amizades são mais raras - mas isso, pelo jeito, não importa tanto assim para certas pessoas.

Sim, estou órfão de um melhor amigo. Talvez mesmo nunca o tenha tido, porque um melhor amigo não se sente feliz em lhe botar pra baixo, em fazer piadas a seu respeito ou não ter o menor respeito pelos seus sentimentos. E, principalmente, um melhor amigo não abandona uma amizade por motivos ridículos sem nem ao menos conversar sobre eles. Talvez todos esses anos o meu melhor amigo tenha sido imaginário...

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JULIET, NUA E CRUA

Posted by Clenio on 12:09 in

Talvez eu fizesse isso por John Lennon, ou Kurt Cobain, se tivesse a oportunidade. Provavelmente faria se Michael Stipe abandonasse a carreira e me privasse de suas belas e muitas vezes raivosas canções. Certamente faria por Alanis Morissette se um dia ela resolvesse sair de circulação sem uma explicação decente e me deixasse órfão de seus insights sobre relacionamentos frustrados. Por isso eu, de certa forma, me identifico com Duncan, o protagonista - ou um dos - do novo romance de Nick Hornby, "Juliet, nua e crua" (Ed.Rocco).

Duncan é um homem que já chegou à casa dos quarenta e vive em uma cidadezinha modorrenta da Inglaterra ao lado da esposa - não oficial, mas ainda assim esposa - Annie, que trabalha em um museu sem maiores atrativos. Duncan seria uma pessoa absolutamente normal não fosse sua obsessão por Tucker Crowe, um roqueiro americano que, durante os anos 80 lançou um álbum cultuado chamado "Juliet" - em homenagem a seu rompimento com uma bela modelo - e depois simplesmente desapareceu no vácuo, abandonando carreira, fãs e shows. Participando ativamente de um site dedicado ao músico - cuja lenda tornou-se maior do que sua fama - ele passa horas e mais horas de seu dia analisando, ouvindo, discutindo e conversando sobre a obra do ídolo com outras poucas pessoas tão fanáticas quanto ele, que chega ao extremo de planejar suas férias para passar nos mesmos lugares que seu ídolo um dia passou - nem que seja um banheiro sujo nos EUA. Um dia, chega a suas mãos uma fita demo intitulada "Juliet, nua e crua" - nada mais nada menos do que a versão acústica de seu disco favorito. Ele adora a novidade, mas, depois de uma briga com Annie - por ela ter escutado o álbum antes dele - ela escreve uma resenha desancando o trabalho. Seu texto enfurece os fãs do cantor, mas agrada justamente a quem ela menos esperava; o próprio Tucker Crowe, que passa a se comunicar com ela por emails. Nesse meio tempo, Duncan se envolve com uma colega de trabalho e Annie - cada vez mais frustrada com sua vida - começa um relacionamento - primeiro epistolar e depois mais físico - com o roqueiro, que depois de vários divórcios e inúmeros filhos espalhados também está numa fase de repensar a existência e igualmente odeia a versão desplugada de seu mais famoso trabalho.

Como fã incondicional de Hornby - que recentemente escreveu a ótima adaptação para o cinema do livro "Educação" - devo confessar que seus últimos livros não me empolgaram muito. "Uma longa queda" ainda tinha ideias interessantes, mas "Como ser legal" me decepcionou um bocado. Portanto, me alegra saber que ele ainda é um grande escritor, antenado com seu tempo e com o sarcasmo e a ironia intactos. "Juliet, nua e crua" é uma delícia de livro. Inteligente, engraçado, comovente e extremamente humano, como boa parte de sua obra. Nem mesmo a figura de Tucker Crowe - em tese, integrante de um universo distante da maioria esmagadora dos leitores - soa superficial ou inverossímil. É uma personagem fascinante, dentro de sua espécie de misantropia, repleto das incoerências internas que na vida real chamamos de idissioncrasias. Annie, por sua vez, é uma mulher que descobre que passou quinze anos de sua vida - os melhores - ligada a um homem que não lhe dava mais do que um certo tédio e nem ao menos quis lhe dar um filho. Seus diálogos com o psicanalista Malcolm e com a melhor amiga lésbica Ros são hilariantes e ao mesmo tempo donos de um calor humano irresistível. E Duncan... bem, Duncan é o retrato perfeito do homem que não quer amadurecer, que dispense sua energia em uma obsessão pouco saudável - mas que consegue, ainda assim, despertar compaixão e simpatia. Atire a primeira pedra quem nunca idolatrou ninguém!!!

"Juliet, nua e crua" é um livro para ser lido com prazer, de preferência ouvindo a música pop de sua preferência e imaginando como seria ter contato com seu ídolo máximo. Salve Hornby!

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IBRAHIMOVIC E PIQUÉ... E DAÍ?

Posted by Clenio on 15:21 in

A foto acima causou polêmica essa semana, suscitando comentários os mais diversos e escandalizando os mais conservadores. Mas o que essa foto aparentemente comum tem que despertou tanto celeuma? É a foto de uma criança africana passando fome? De alguma vítima das enchentes do Rio de Janeiro? É o registro do descaso das autoridades em grande parte do país em relação à violência e à saúde? Ou da matança indiscriminada de animais ou queimadas criminosas? Não, nada disso. A foto causou polêmica porque mostra dois homens em situação, digamos assim, suspeita. Suspeita de que? Tráfico de drogas? Estupro? Desvio de verbas? Genocídio? Não, eles não estão armados até os dentes nem ameaçando uma senhora de idade com um canivete. Eles estão de mãos dadas e se olhando carinhosamente. CRIME!!!! E com agravante: eles são jogadores de futebol. Injeção letal neles agora! Já pensaram se o Vaticano vê isso? Antes de matá-los é excomunhão na certa...

Apesar da foto não deixar muitas dúvidas, sempre é bom lembrar os males que uma difamação pode acarretar. Um escândalo desses no universo do futebol - em tese uma seara onde os homens heterossexuais liberam toda sua tensão - pode ser o fim da carreira de um atleta. Exagero? Talvez, mas imaginem a pressão em cima de um jogador com essa fama no momento de entrar em campo, principalmente vinda da torcida inimiga. Aguentar piadinhas, brincadeiras e afins pode ser pinto (epa!), mas e quando elas vem acompanhadas de agressão física? Sim, o mundo do esporte pode ser bastante preconceituoso (apenas para efeito de comparação é bom recordar a cena do hilariante "Bruno!", onde o modelo homossexual vivido por Sacha Baron-Cohen se atraca com outro homem frente à plateia de uma luta livre...) Ter que conviver com essa fama mesmo que não tenha motivos reais pra isso não deve ser nada fácil - e isso que nem entrei no mérito da questão que envolve família, amigos, fãs, etc... E contratos milionários, também, porque está pra nascer um agente de marketing que consiga reverter uma situação "danosa" como esta.

Mas vamos supor que realmente Ibrahimovic e Piqué tenham um belo e tórrido caso amoroso. A pergunta que faço é: E DAÍ? Que diferença faz se jogadores de futebol com fama e pinta de machões são gays ou não? Eles deixam de ser extremamente talentosos por isso? Montgomery Clift não foi um ator brilhante por ser gay? E Elton John? E Oscar Wilde? Se nos campos de futebol eles alegram seus torcedores, que mal há que eles se divirtam sob os lençóis? Machuca a mim? Machuca a você? Então deixemos que eles sejam felizes como quiserem.

Me surpreende negativamente que, sob a luz do século XXI tantas pessoas ainda se sintam ofendidas e/ou abismadas com a relação entre dois homens. É como se o mundo não tivesse problemas o bastante, para que milhares de pessoas queiram saber qual dos dois é ativo e qual é passivo? QUE DIFERENÇA ISSO FAZ? Logicamente existe uma certa curiosidade sobre a vida das celebridades - e não me farei de intelectual sábio, porque eu também gosto de ler sobre uma fofoca - mas daí a transformar essa pequena concessão ao popular em algo de importância exagerada já é demais. Gente que se preocupa tanto assim com a cama dos outros deveria era arrumar um jeito de cuidar melhor da sua. Garanto que, se metade das pessoas que vem apontando o dedo para a dupla de jogadores tivesse alguém para lhes fazer o carinho que a foto registra ela nem mesmo seria notícia.

E quer saber? Eu achei a foto muito bonita...

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UMA NOITE FORA DE SÉRIE

Posted by Clenio on 23:21 in

Com a possível exceção dos filmes de Woody Allen - que tenta e alcança muitas vezes sair do espectro limitatório do gênero - comédias são sempre relegadas a um segundo plano, tanto em cerimônias de premiação quanto na escala de importância que os próprios fãs de cinema possuem. Dificilmente um frequentador assíduo e sério de salas de cinema - e talvez eu use um pouco de soberba aqui - vai citar, entre seus filmes preferidos, trabalhos cômicos, por exemplo, de Jim Carrey. No entanto, provavelmente não terá vergonha em dizer que adora "O show de Truman", ou "O mundo de Andy" ou, melhor ainda, "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" (o que não é uma crítica, sou fã declarado dos três filmes citados). O que quero dizer é que comédias são sempre os filhos menos elogiados, aquelas pessoas com quem saímos para nos divertir e nunca para namorar ou muito menos casar.

Tudo essa introdução é apenas para explicar melhor os motivos pelos quais vale a pena sair de casa e gastar suados reais para assistir-se a "Uma noite fora de série". Sem ambicionar mais do que hora e meia de diversão, o filme de Shawn Levy cumpre gloriosamente o que promete, concedendo a seu público boas gargalhadas e atuações inspiradas de dois dos maiores gênios da comédia americana da atualidade, Steve Carrell e Tina Fey.

Carrell - que ficou famoso em "O virgem de 40 anos", mostrou talento dramático em "Pequena Miss Sunshine" e hoje é o protagonista da hilariante série "The office" - interpreta Phil Foster, um vendedor de seguros cuja vida social não é das mais animadas, principalmente pelo excesso de trabalho que o acomete, assim como à sua mulher, Claire. Claire, vivida por Tina Fey - criadora e atriz do imperdível "30 rock", onde trabalha ao lado do cada vez melhor Alec Baldwin - é uma corretora de imóveis que, como toda mulher de classe média e/ou baixa, ainda precisa chegar em casa e cuidar de dois filhos, do jantar e de todas as obrigações domésticas. Uma noite, querendo sair da rotina - que já separou pelo menos um dos casais com quem eles convivem - eles mentem o nome para ficar com a reserva de um restaurante da moda em Nova York. Confundidos com o verdadeiro casal, eles passam a ser perseguidos pelos capangas de um misterioso Joe Miletto, que exigem que eles devolvam um pen-drive. A noite, então, se transforma em um pesadelo.

Não há absolutamente nada de novo em "Uma noite fora de série". Todos os clichês do gênero abundam descaradamente nos noventa minutos de duração, mas eles são tão assumidos que jamais chegam a incomodar. Nem mesmo o final exagerado foge do que se espera dele, ou seja, rir das situações, rir do "over", e principalmente rir dos atores centrais. Mais uma vez digo que a química perfeita entre Carrell e Tina Fey é responsável por 90% do sucesso do filme (que rendeu mais de 60 milhões só nos EUA) mas não é preciso ser fã do estilo de humor dos dois para dar boas risadas, mesmo porque o filme ainda apresenta algumas participações bastante especiais: Mark Wahlberg, Mark Ruffalo, James Franco e Ray Liotta dão as caras em personagens também bastante engraçados.

"Uma noite fora de série" provavelmente não vai mudar a sua vida. Mas é bem capaz de melhorar o seu humor.

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A ESTRADA

Posted by Clenio on 21:08 in

Se existe uma coisa que me deixa feliz da vida é assistir a um filme do qual não espero muito e sair do cinema encantado. Depois de tanto ter que engolir péssimos exemplos cinematográficos vindo de uma Hollywood que adora pasteurizar sentimentos, fui surpreendido com um dos melhores filmes do ano e que, sintomaticamente, passou batido pelas cerimônias de premiação que renderam louvores a lixos como "Um sonho possível". Dirigido pelo relativamente novato John Hillcoat, "A estrada" é um petardo emocional dos mais sinceros, que equiilibra com presteza elementos de um filme de suspense aterrador com um drama familiar de partir o coração.

Adaptado de um romance de Cormac McCarthy (escritor que teve sorte até agora com as transições de seus livros para o cinema, uma vez que é também o autor da trama de "Onde os fracos não tem vez"), "A estrada" não é exatamente um filme fácil, e exige do público uma entrega quase total a seu universo, já que não oferece respostas imediatas nem soluções comuns à audiência. A história se passa em uma época não definida, em um lugar também não declarado. Só o que se sabe é que, por alguma razão, poucas pessoas estão vivas e vagam perdidas pelas estradas, em busca de alimento e moradia segura. Algumas dessas pessoas apelam para o canibalismo como forma de sobrevivência e é nesse ambiente que um homem (Viggo Mortensen) tenta proteger o único filho (Kodi Smith-McPhee) da violência que os cerca, ao mesmo tempo em que lhe ensina como manter-se são e perspicaz a tudo que lhes rodeia. Seu objetivo é reencontrar a esposa que os abandonou (Charlize Theron) e, no meio do caminho, cruza com vândalos, assassinos, indigentes e um homem idoso (Robert Duvall, irreconhecível e em uma atuação estupenda) que perdeu o filho devido à tragédia que os jogou, a todos, no mesmo barco de desesperança.

A belíssima fotografia de Javier Aguirresarobe, a trilha sonora discreta de Nick Cave e Warren Ellis e a maquiagem assustadora de Mandi Crane acabam se tornando elementos-chave nas mãos do diretor, que reitera a máxima de que o importante não é o destino e sim a viagem. Durante o processo de fuga/busca entre os protagonistas, a relação entre pai e filho chama mais a atenção do que os angustiantes momentos de tensão que perpassam o filme - mesmo que esses sejam filmados com extrema eficácia. É o carinho que move o pai desesperançoso e o filho dono de uma inocência sempre em vias de acabar que eleva o filme a uma categoria especial: é difícil não emocionar-se com o rosto ingênuo da sensacional revelação Kodi Smith-McPhee tentando devolver ao pai (vivido com garra por um Viggo Mortensen melhor ator do que nunca) a fé na bondade e na compaixão, assim como é virtualmente impossível sair do cinema sem a certeza absoluta de ter-se assistido a uma obra corajosa, forte e comovente.

"A estrada" é um filmaço, feito com uma competência assustadora e que aponta a seu diretor um futuro bem menos distópico do que o representado por ele em 120 minutos de projeção.

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PRÊMIO DARDOS

Posted by Clenio on 18:45 in

Em mais uma prova da gentileza e do grau de companheirismo e respeito que existe entre aqueles que se propõem a dividir seus sentimentos e impressões a respeito do mundo através de blogs, meu querido amigo VISÃO me ofereceu o selo de qualidade do prêmio Dardos. Muitíssimo obrigado a ele. Acompanhem o blog dele, vale a pena:

http://manipuletambem.blogspot.com/2010/05/premio-dardos.html

Que é Prêmio Dardos?

O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.


Aqui vão as regras:

- Exibir a imagem do selo no blog.
- Exibir o link do blog que você recebeu a indicação.
- Escolher 10, 15 ou 30 blogs para dar indicação, e avisá-los.

Segue a lista dos meus indicados, todos blogs excelentes a respeito principalmente de cultura:

www.marquesiano.blogspot.com
www.cinemarodrigo.blogspot.com
www.cinemapublico.blogspot.com
www.olhardomarcos.blogspot.com
www.apimentario.blogspot.com
www.cheabtulio.blogspot.com
www.eopedefeijao.blogspot.com
www.luisfabianoteixeira.blogspot.com
www.anodemeus30.blogspot.com
www.cinefreud.blogspot.com
www.loveisanoldfashionedword.blogspot.com

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