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OSCAR 2018: MELHOR ATRIZ

Posted by Clenio on 19:49 in ,
Frances McDormand está se encaminhando para levar seu segundo Oscar de melhor atriz. O primeiro veio em 1997 por "Fargo", comédia de humor negro dos irmãos Coen que tem muito em comum com o estilo narrativo de Martin McDonaugh, o diretor de "Três anúncios para um crime" - que pode ser o responsável por sua segunda (e merecida) estatueta. Mas será que McDormand é uma favorita tão absoluta assim? Tudo indica que sim, mas a categoria de melhor atriz deste ano é uma das mais disputadas das últimas temporadas - e a Academia pode surpreender. Como? Leia abaixo.

SALLY HAWKINGS (A forma da água) - Premiada como melhor atriz pelos críticos de Los Angeles, Hawkins arrebata sua segunda indicação ao Oscar e primeira na categoria principal - ela concorreu como coadjuvante em 2014, por "Blue Jasmine", de Woody Allen. Agora ela passa ao primeiro time encarnando uma zeladora muda que se apaixona por um ser anfíbio que está sendo mantido preso pelo governo americano em plena Guerra Fria. O desempenho de Hawkins é admirável, transmitindo uma variedade imensa de sentimentos sem dizer uma única palavra - talvez fosse um prêmio certo, caso Frances McDormand não surgisse na última hora e abocanhasse os principais troféus da temporada. Ainda assim ela não é carta fora do baralho: a força do filme pode ajudá-la, e se a vitória for sua a estatueta estará em ótimas mãos.

FRANCES MCDORMAND (Três anúncios para um crime) - Parece um favoritismo absoluto: Golden Globe, Critics Choice Award e SAG Award nos braços fazem de McDormand o nome a ser batido na categoria. Já vencedora uma vez - por "Fargo" (96) - e indicada outras três, sempre como coadjuvante - "Mississipi em chamas" (88), "Quase famosos" (2000) e "Terra fria" (2005) - a esposa do cineasta Joel Coen passou de queridinha do cinema independente dos anos 80 e 90 para uma atriz respeitadíssima pela indústria. Um segundo Oscar é mais que justo - afinal, até Hilary Swank tem dois, o que não deixa de ser muito estranho.

MARGOT ROBBIE (Eu, Tonya) - Até há pouco tempo, a bela Margot Robbie era apenas isso: uma bela e desejável atriz em busca de reconhecimento. Bastou Martin Scorsese colocá-la em "O lobo de Wall Street" (2013) para que ela finalmente conhecesse um pouco de respeito artístico. Nem sua participação em "Esquadrão Suicida" (2016) pode apagar seu brilhante trabalho como a patinadora Tonya Harding, pivô de um escândalo no meio esportivo dos anos 90. Equilibrando senso de humor negro e drama, Robbie conquistou elogios unânimes - e apesar de suas chances serem quase nulas, sua indicação já aponta um novo caminho em sua carreira.

SAOIRSE RONAN (Lady Bird - A hora é de voar) - Talvez a jovem Ronan seja a maior pedra no caminho de Frances McDormand na busca pelo Oscar 2018. Como a Academia adora incentivar jovens atrizes (Gwyneth Paltrow, Hilary Swank, Emma Stone) e como Ronan já está em sua terceira indicação ao prêmio - concorreu como coadjuvante por "Desejo e reparação" (2007) e "Brooklin" (2015), esta última na categoria principal - pode ser que os votantes resolvam optar pela juventude ao invés da maturidade. O fato do filme de Greta Gerwig ter arrancado aplausos por onde passou também conta bastante, e sua vitória não seria algo tão inesperado assim - ainda que precoce demais.

MERYL STREEP (The Post: a guerra secreta) - Em sua inacreditável 21ª indicação, Streep busca a terceira vitória por um filme muito esperado mas que acabou decepcionando na temporada de prêmios - não se iludam com sua indicação ao Oscar de melhor filme, imerecida e um tanto quanto bizarra. Figurinha carimbada das festas da Academia (por puro merecimento), ela concorre sem muitas chances, e poderia muito bem ter ficado de fora (Jessica Chastain, por "A grande jogada", ficaria muito bem em seu lugar). Atriz espetacular, Meryl Streep parece estar na lista apenas por força do hábito.

FAVORITA: Frances McDormand
TORCIDA: Sally Hawkins
NO PÁREO: Saoirse Ronan
ZEBRA: Margot Robbie

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OSCAR 2018 - MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Posted by Clenio on 20:57 in ,
Ano passado a sensacional Viola Davis finalmente levou a estatueta que merecia desde "Dúvida", que lhe deu a primeira indicação ao Oscar, em 2009. Merecidamente aplaudida de pé, ela fez um discurso emocionante e tornou-se uma das atrizes negras mais premiadas e admiradas da história de Hollywood. E este ano? Quem terá a honra de subir ao palco e conquistar o almejado prêmio da Academia? Assim como na categoria masculina de coadjuvantes, uma favorita do início da temporada de premiações foi eclipsada por uma rival nos momentos mais importantes da disputa, mas sempre pode acontecer uma surpresa.

MARY J. BLIGE (Mudbound - Lágrimas sobre o Mississippi) - A cantora Mary J. Blidge surpreendeu a todos por sua atuação madura e desprovida de vaidade no pouco visto mas muito elogiado "Mudbound - Lágrimas sobre o Mississippi" - que também lhe deu uma indicação ao Oscar de melhor canção ("Mighty river"). Como uma matriarca forte e determinada que lida com o preconceito e a violência do sul dos EUA na década de 40, Blige chamou a atenção para um filme que, caso contrário, poderia passar despercebido pelo grande público. Suas chances são pequenas, mas sua indicação já é uma conquista e tanto.

ALLISON JANNEY (Eu, Tonya) - Um rosto conhecido por diversos filmes e séries de TV (atualmente está no ar com "Mom"), Janney dá um show como a mãe carrasca da patinadora Tony Harding na comédia de humor negro estrelada por Margot Robbie. Na frente da corrida pela estatueta graças aos prêmios no Golden Globe, SAG Awards e Critics Choice Awards, ela tem tudo para sair com o Oscar nas mãos - uma vitória amplamente merecida.

LESLEY MANVILLE (Trama fantasma) - A maior surpresa entre as indicações da categoria, Manville não havia sido lembrada em nenhuma outra grande premiação da temporada, o que sugere um inesperado carinho da Academia pelo filme de Paul Thomas Anderson. Na pele da onipresente irmã de Daniel Day-Lewis, a atriz constrói um trabalho de poucas palavras mas muita intensidade, não se deixando intimidar pela presença sempre forte de seu colega de cena. Suas chances são uma incógnita, mas é pouco provável que derrube as favoritas Alisson Janney e Laurie Metcalf.

LAURIE METCALF (Lady Bird - A hora é de voar) - Assim como aconteceu com Willem Dafoe, o trabalho de Metcalf como a mãe difícil de Saoirse Ronan encantou os críticos no começo da temporada de premiações, com reconhecimento dos críticos de Los Angeles e do National Board of Review. A partir do Golden Globe, porém, parece que suas chances foram diminuindo a cada dia, com Alisson Janney tomando a dianteira na disputa. Como o filme de Greta Gerwig tem uma visibilidade maior junto aos membros da Academia, porém, uma reviravolta não é impossível, e Matcalf ainda está no páreo. É pagar para ver.

OCTAVIA SPENCER (A forma da água) - Única veterana em Oscar da categoria, Spencer já saiu vitoriosa por "Histórias cruzadas" (2011) e voltou a concorrer ano passado por "Estrelas além do tempo". Sua nomeação por "A forma da água", no entanto, acontece mais pela força do filme do que por seu desempenho em si, que repete trejeitos e situações de trabalhos anteriores. Spencer é uma boa atriz, simpática e carismática, mas suas chances esse ano são quase nulas. Sua vitória seria um choque.

FAVORITA: Alisson Janney
TORCIDA: Alisson Janney
NO PÁREO: Laurie Metcalf, Lesley Manville
ZEBRA: Octavia Spencer

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OSCAR 2018 - MELHOR ATOR COADJUVANTE

Posted by Clenio on 19:42 in ,
Uma semana para o Oscar e todo mundo que é apaixonado por cinema já está com as apostas feitas, torcidas organizadas e o estoque de pipoca garantido. A partir de hoje, vamos analisar as principais categorias (as mais populares, digamos assim) e tentar adivinhar o pensamento dos eleitores da Academia. É um exercício que vem ficando a cada ano menos complicado, uma vez que outras cerimônias de premiação dão pistas mais do que suficientes para rastrear o pensamento comum da indústria - e acabam por deixar o Oscar, por mais glamouroso que seja, com um certo gostinho de anti-clímax, já que a essa altura do campeonato todas as entregas de prêmio soam extremamente parecidas, com uma ou outra surpresa para não ser totalmente previsível.

Este ano vamos começar com a categoria Melhor Ator Coadjuvante - que deixou de lado alguns nomes elogiados e esperados, como a dupla de "Me chame pelo seu nome", Armie Hammer e Michael Stuhlbarg. Ano passado, Mahershala Ali saiu vitorioso por "Moonlight: sob a luz do luar" - depois de ter sido eleito o melhor em praticamente todas as associações de críticos, além de ter levado o Golden Globe para casa. Este ano parece que a disputa está meio ganha, mas será realmente que dá para apostar tudo em Sam Rockwell?

WILLEM DAFOE (Projeto Flórida) - No começo da temporada de premiações, parecia que finalmente o veterano Willem Dafoe estava no caminho certo para ganhar seu primeiro Oscar, depois de outras indicações infrutíferas - por "Platoon" (86) e "A sombra do vampiro" (2000). Na pele do zelador de um hotel que serve como testemunha das aventuras de uma mãe solteira e sua filha pequena no drama independente "Projeto Flórida", Dafoe conquistou os críticos de Los Angeles e Nova York, além dos eleitores do National Board of Review, um tradicional círculo de críticos de cinema. A partir do Golden Globe, porém, suas chances foram diminuindo consideravelmente, e hoje só mesmo uma reviravolta pode lhe devolver o favoritismo. Como a Academia gosta de homenagear atores por suas carreiras e não apenas por um trabalho específico, Dafoe ainda pode sonhar com a estatueta - mas seria uma pequena zebra no caminho de Sam Rockwell.

WOODY HARRELSON (Três anúncios para um crime) - Também indicado pela terceira vez - as anteriores foram como melhor ator em "O povo contra Larry Flynt" (96) e coadjuvante em "O mensageiro" (2009) - o polêmico Harrelson volta à disputa competindo com o colega de elenco Sam Rockwell. Sua indicação é justa e merecida, mas suas chances são pequenas em comparação com as de seu parceiro. Sua presença na lista de indicados, no entanto, pode atrapalhar os planos de Rockwell se os eleitores resolverem dividir os votos entre os dois atores e abrir espaço para um terceiro nome: é pouco provável, mas pode acontecer. Ainda assim, Harrelson se mantém como um nome ativo e respeitado pela Academia - e pode ser reconhecido em breve com uma estatueta.

RICHARD JENKINS (A forma da água) - Jenkins também já conhece o gostinho de uma indicação ao Oscar - concorreu como melhor ator por "O visitante" (2008). Conhecido como o patriarca morto da série "A sete palmos", ele surge como o azarão da categoria: no filme de Guillermo Del Toro, ele interpreta o vizinho homossexual da protagonista Sally Hawking, que embarca no ousado plano da amiga como forma de lutar contra o preconceito. É um belo desempenho, mas deve ficar apenas na indicação.

CHRISTOPHER PLUMMER (Todo o dinheiro do mundo) - Premiado na mesma categoria em 2012, pelo filme "Toda forma de amor", o veteraníssimo Plummer surpreendeu a todos quando refez, em um prazo exíguo de filmagens, todo o trabalho que Kevin Spacey havia feito no filme de Ridley Scott. Spacey, caído em desgraça em Hollywood por acusações de estupro e assédio, poderia estar na lista de indicados deste ano, mas é seu substituto quem acabou abocanhando a vaga - muito por sua capacidade de embarcar em um desafio a essa altura da carreira. Sua vitória seria um tiro de misericórdia em Spacey, mas é improvável que isso vá acontecer, em especial depois da polêmica envolvendo a diferença gritante dos salários de seus colegas de elenco Mark Wahlberg e Michelle Williams.

SAM ROCKWELL (Três anúncios para um crime) - O grande favorito da categoria. Ator excepcional e pouco reconhecido, Rockwell trabalha novamente sob a batuta do diretor Martin McDonaugh (com quem fez o pouco visto "Sete psicopatas e um shi-tzu") e dessa vez finalmente chamou a atenção da Academia e dos críticos. Premiado com o Golden Globe, o Critics Choice Awards e o SAG Award (do sindicato dos atores dos EUA), Rockwell chega ao Oscar com uma confortável margem de favoritismo. Se não houver uma grande mudança de vento no pensamento dos votantes, sairá da festa com uma merecida estatueta nas mãos.

TORCIDA: Sam Rockwell
FAVORITO: Sam Rockwell
NA DISPUTA: Willem Dafoe e Woody Harrelson
AZARÃO: Richard Jenkins

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OSCAR 2017 - MELHOR ATOR

Posted by Clenio on 20:33 in
O ator, diretor e roteirista Ben Affleck bem pode ser mais conhecido que seu irmão caçula, Casey, mas se depender das probabilidades, o mais jovem da família poderá sair da cerimônia do próximo dia 26 de fevereiro com algo com que Ben - duramente criticado por suas limitações dramáticas - jamais poderia sonhar: um Oscar de melhor ator. Ok, ele já tem duas estatuetas em casa (roteiro original, por "Gênio indomável" e melhor filme, por "Argo"), mas se uma zebra não atravessar o tapete vermelho, será Casey o único do clã a ostentar a honra de estar ao lado de grandes nomes do cinema mundial (e outros nem tanto, vide Roberto Benigni e seu sofrível "A vida é bela"). Mas será que ele é tão favorito assim? Ou uma surpresa pode acontecer?

CASEY AFFLECK - Na pele de um zelador com um passado dramático que se vê obrigado a lidar com a possibilidade de cuidar do sobrinho adolescente depois da morte do irmão, Casey Affleck tornou-se o favorito ao Oscar deste ano. Seu trabalho minimalista (talvez em excesso) foi homenageado pelo National Board of Review, pelos críticos de Nova York, pela National Society of Film Critics e pelos eleitores do Golden Globe e do BAFTA (o Oscar britânico). Apenas seus colegas atores discordaram, dando o prêmio do Sindicato a Denzel Washington. A grande questão do momento é se as acusações de assédio sexual contra Casey - que já foi indicado anteriormente, como coadjuvante de "O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford" (2007) - irão pesar o bastante para lhe tirar o ouro do Oscar por "Manchester à beira-mar". É pouco provável, mas o fator surpresa sempre ronda a cerimônia de premiação.

ANDREW GARFIELD - Este ano o ator inglês - conhecido por seu trabalho em "A rede social" e pelos dois filmes do Homem-aranha que estrelou ao lado da ex-namorada Emma Stone - esteve presente em dois filmes de visibilidade considerável. Mas se "Silêncio", de Martin Scorsese, passou pelas telas e pelos tapetes vermelhos sem fazer barulho algum, "Até o último homem", de Mel Gibson, agradou em cheio público, crítica e a Academia, que resolveu lhe dar sua primeira - e merecida - indicação ao Oscar. Na pele de um soldado (real) que participou da II Guerra Mundial sem ter disparado um único tiro e que salvou a vida de seu pelotão, Garfield demonstra uma maturidade e um talento que ainda pode render várias outras lembranças da Academia, em um futuro bem próximo.

RYAN GOSLING - Em 2007 o canadense Ryan Gosling foi indicado por "Half Nelson: encurralados", um filme que ninguém viu e que nem de longe é lembrado como um de seus melhores trabalhos. Este ano a coisa é diferente: na pele de um jovem pianista que sonha em ter sua própria casa de jazz, em "La La Land: cantando estações", ele marca um gol de placa, explorando seu talento para a atuação (dramática e cômica), o canto e a dança. Vencedor do Golden Globe, ele tem chances reduzidas de levar a estatueta, mas pode beneficiar-se do efeito arrastão que o filme promete deflagrar. Não seria uma premiação injusta, uma vez que Gosling tem na carreira atuações brilhantes que foram esnobadas pela Academia ("Namorados para sempre", "Drive", "Tudo pelo poder"). E se Emma Stone é uma das favoritas, por que ele também não pode ser?

VIGGO MORTENSEN - Uma pena que o excelente "Capitão Fantástico" tenha sido lembrado somente na categoria de melhor ator. A bela história do pai de família que cria seus filhos em um ambiente alternativo, longe da chamada civilização, é inteligente, bem-humorada, sensível e questionadora, mas foi praticamente ignorada pela Academia. Menos mal que seu protagonista, Viggo Mortensen, marcou presença na lista dos indicados, ainda que com chances quase nulas. É sua segunda indicação - a primeira aconteceu em 2008, por "Senhores do crime" - e um dos melhores trabalhos de atuação do ano. Se bobear, é infinitamente superior à atuação de Casey Affleck, o favorito.

DENZEL WASHINGTON - Sempre um candidato forte, Denzel Washington chega à sua sétima indicação com "Um limite entre nós", densa adaptação da peça teatral de August Wilson que também é dirigida por ele. Explorando ao máximo um papel que lhe dá todas as oportunidades para demonstrar seu imenso talento, Washington arrebatou o prêmio do Sindicato de Atores e chega à cerimônia do dia 26 com moral suficiente para abalar as certezas de Casey Affleck. Se ganhar, será o ator negro mais premiado da história da Academia, já que tem duas estatuetas em casa - ator coadjuvante por "Tempo de glória" (89) e ator por "Dia de treinamento" (2000). Alguém conhece outro que mereça mais tamanho prestígio?

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OSCAR 2017 - MELHOR ATRIZ

Posted by Clenio on 19:36 in ,
Já faz muitos anos que o Oscar de Melhor Atriz deixou de surpreender o público. Talvez desde que Marion Cottilard arrebatou a estatueta por "Piaf: um hino ao amor", na cerimônia de 2008 - e mesmo assim, já tendo ganho o Golden Globe, foi uma surpresa meio esperada. Este ano a disputa parece feia, ainda que, assim como aconteceu em 1999, quando Gwyneth Paltrow saiu vencedora por "Shakespeare apaixonado", em detrimento de nomes como Meryl Streep, Cate Blanchett e Fernanda Montenegro, a bela Emma Stone tenha alguns corpos de vantagem sobre as rivais, graças a seu carisma, juventude e a simpatia de seu filme. Stone está ótima em "La La Land" - mas será que seu trabalho realmente é o melhor dos cinco candidatos? Como estamos falando de Oscar (ou, em outras palavras, da indústria hollywoodiana de entretenimento), talvez não seja, mas isso é o que menos importa.

ISABELLE HUPPERT - A mais grata surpresa do Oscar 2017 é a indicação de Huppert, a cara do cinema francês no momento - assim como o foram Isabelle Adjani nos anos 80 e Juliette Binoche na década de 90. Menos popular que as duas e mais conhecida dos cinéfilos com tendências mais intelectuais e ratos de cinemateca, Huppert é uma atriz de primeira grandeza, rica em nuances e capaz de mergulhar sem medo em trabalhos densos - como "A professora de piano", de Michael Haneke - ou produções mais solares, como "O que está por vir", que este ano, foi o filme responsável de colocá-la no radar das premiações. Por causa dele - e por "Elle", do holandês Paul Verhoeven (de "Robocop", "Instinto selvagem" e do infame "Showgirls" - Huppert foi homenageada pelos críticos de Los Angeles e Nova York, além da Associação Nacional de Críticos. O inesperado Golden Globe e a indicação ao Oscar vieram apenas por "Elle" - onde interpreta uma mulher vítima de violência sexual que se recusa a deixar-se abater pelo acontecimento - mas apenas porque o papel é bem mais "típico" de Oscar. Sua vitória seria um tanto inesperada, mas muito comemorada por quem gosta de cinema mais autoral e menos comercial.

RUTH NEGGA - A única indicação do belo "Loving", de Jeff Nichols, sublinha uma de suas maiores qualidades. Em uma interpretação discreta mas avassaladoramente expressiva, Ruth Negga (mulher do ator Dominic Cooper) agarra com unhas e dentes a oportunidade de transformar-se em estrela. Quem assistiu ao filme sabe do que ela é capaz mesmo em silêncio, mas suas chances de vitória são bem pequenas frente às demais indicadas. Mas é um belo empurrão para uma carreira que promete.

NATALIE PORTMAN - Em sua terceira indicação ao Oscar, a bela Natalie Portman - vencedora em 2011 pelo perturbador "Cisne negro" - tenta o bicampeonato por seu retrato da primeira-dama mais famosa dos EUA. Em "Jackie", do chileno Pablo Larraín, ela constrói uma Jacqueline Kennedy equilibrada entre a imagem que desejava passar ao público e a mulher que tentava lidar com a perda do marido, do poder e da vida de glamour. Prejudicada pelo estilo semi-documental do filme, que foge das tradicionais cinebiografias, Portman escapou imune das críticas e conquistou uma merecida indicação - mas suas chances vem diminuindo a cada dia. Uma pena, já que seu trabalho é ótimo.

EMMA STONE - Indicada há dois anos como coadjuvante - por "Birdman" - a jovem Stone tem tudo a seu favor: é bonita sem ser ameaçadora, é simpática, é talentosa, é popular e está no elenco do filme com o maior número de indicações do ano. Além disso, em "La La Land" ela atua, canta e dança, mostrando uma versatilidade que comprova o talento com que acenava na comédia adolescente "A mentira" (2010), que lhe rendeu sua primeira indicação ao Golden Globe. No filme que pode lhe render um Oscar um tanto precoce, ela interpreta uma aspirante a atriz que descobre, da pior maneira possível, que profissão e amor nem sempre conseguem andar de mãos dadas, e o faz com graça e bom-humor. Uma interpretação que já lhe deu um Golden Globe, um prêmio do Sindicato de Atores e um BAFTA (o Oscar britânico). O Oscar já está quase aumentando esta lista.

MERYL STREEP - Em sua vigésima indicação, a atriz mais respeitada de Hollywood não apenas é aplaudida por seu imenso talento em dar vida a personagens de todo tipo, mas também por suas opiniões políticas lúcidas e inteligentes e por sua extrema generosidade. Não é à toa que seu nome já virou sinônimo de Oscar ainda que ela tenha apenas três estatuetas (uma a menos que a recordista Katharine Hepburn, com quatro na categoria principal). Em "Florence: quem é essa mulher?", do inglês Stephen Frears, ela traz à vida uma milionária nova-iorquina que existiu na vida real e que, apaixonada por música, era incapaz de perceber o quão ruins eram suas tentativas de cantar e mesmo assim conquistava a todos por sua simpatia e bom-humor. O filme é apenas agradável, mas, como sempre, Streep o eleva a um patamar acima da média. Mas deve ficar apenas na indicação, mais uma vez.

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