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GOLDEN GLOBE AWARDS 2011 - PREVISÕES

Posted by Clenio on 00:35 in
Temporada de premiações chegando e é chegada a hora daqueles que, como eu, acham que entendem de cinema, fazerem suas previsões sobre o que está para acontecer. Próximo domingo é o Golden Globe e, de acordo com o que já vem sendo divulgado, pelos trailers e pelo que se conhece de Hollywood dá mais ou menos para ter uma ideia de quem serão os vencedores. Nem vou dar palpites nos prêmios para TV, mas em cinema eu acho que vai acontecer o seguinte:

MELHOR DRAMA - "A rede social" vem fazendo um arrastão nas cerimônias de premiação e é um filme sensacional. Se os jornalistas estrangeiros seguirem a tendência, ele sairá vitorioso. No entanto, ele esbarra em filmes também bastante elogiados e principalmente em uma pedra no sapato: "O discurso do rei", apesar de não ser tão unânime tem muitos dos ingredientes que os críticos gostam (atores excelentes, bom roteiro, etc) e é o filme com maior número de indicações. Se isso é algum indício? Não exatamente, mas sempre é bom preparar-se para vê-lo vencer do filme de David Fincher e até mesmo do indescritível "A origem", que tem contra si o fato de ter estreado há mais tempo e não ter atores nas corridas pelas estatuetas. Em todo caso, seja "A rede social" ou "A origem" o vencedor, me darei por satisfeito.

MELHOR COMÉDIA/MUSICAL - É difícil encontrar filmes realmente bons para essa categoria, haja visto que até mesmo filmes pouco considerados pela crítica (como "Burlesque" e "O turista") encontraram lugar entre os indicados. Minha torcida - e a julgar por seus rivais nada espetaculares - fica com "Minhas mães e meu pai", que é humano, real, bem escrito e com um elenco de sonhos em dias inspirados. Deus me livre de ter que ver "Alice no País das Maravilhas" sair o vencedor....

MELHOR DIRETOR - Aplicando o mesmo raciocínio feito na categoria de Melhor Drama a briga fica mesmo entre dois dos melhores e mais criativos cineastas em atividade em Hollywood: David Fincher ("A rede social") e Christopher Nolan ("A origem"). Qualquer um deles merece, ainda que particularmente eu acredite que Nolan foi mais ousado e corajoso este ano - além de já estar merecendo um reconhecimento desde "Amnésia". O quase novato Tom Hopper ("O discurso do rei") até pode surpreender, mas se quiserem surpreender E fazer justiça ao mesmo tempo, que tal Darren Aronofsky, de "Cisne negro"?

ATOR/DRAMA - Esse é, sem dúvida, o ano de Colin Firth, um grande ator que finalmente vem sendo reconhecido como tal (no mínimo desde sua estupenda atuação em "Direito de amar", ano passado). Em "O discurso do rei" ele faz um papel que lhe dá todas as oportunidades de brilhar e deve sair vencedor da disputa que tem nomes fortes como Jesse Eisenberg ("A rede social"), que vem ganhando vários prêmios e James Franco ("127 hours"), elogiadíssimo pela imprensa internacional. Se for levado em conta que os demais candidatos são o ótimo Ryan Gosling ("Blue Valentine") e o surpreendente Mark Wahlberg ("O vencedor") pode-se dizer que é a categoria mais forte do ano.

ATRIZ/DRAMA - Se formos dar ouvido a tudo que vem sendo comentado, a nova grávida do pedaço, Natalie Portman sairá com um prêmio na mão por sua atuação como uma ambiciosa e reprimida bailarina em "Cisne negro". Excelente atriz, Portman já tem um Golden Globe em casa por "Closer", mas agora ela é a protagonista e, pelo que se vê no trailer, está arrasando. Mesmo que pareça uma favorita absoluta ela deve lutar contra duas vencedoras do Oscar (Hale Berry e Nicole Kidman, essa última pelo elogiado "Rabbit Hole"), pela novata Jennifer Lawrence ("The winter's bone")  e pela promissora Michelle Williams ("Blue Valentine"). Mas essa realmente deve ser a vez da bela Natalie.

ATOR COMÉDIA/MUSICAL - Johnny Depp concorre com ele mesmo... por sua habitual tendência ao exagero em "Alice no País das Maravilhas" e por "O turista", em que atua ao lado de Angelina Jolie. Só o fato de ter convencido em dois papéis aparentemente tão diferentes já lhe dá certa vantagem, principalmente porque seus rivais não são tão fortes assim: Paul Giamatti ("Barney's version"), Kevin Spacey ("Casino Jack") e Jake Gyllenhaal ("Amor e outras drogas") não parecem ameaçá-lo. Mas se Spacey ou Jake saírem vencedores eu ficaria bem mais feliz. Por pura simpatia por eles, já que ainda não assisti a seus respectivos trabalhos.

ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL - Annette Bening. Seu trabalho em "Minhas mães e meu pai" é sublime, apesar de sua personagem ser um tanto chata e nenhuma rival este ano parece ser páreo, nem mesmo sua colega de elenco Julianne Moore. Nem mesmo Angelina Jolie acreditou em sua indicação por "O turista", Emma Stone concorre por um filmezinho adolescente ("A mentira") e Anne Hathaway é linda, talentosa e carismática mas se não ganhou por "O casamento de Rachel" não vai ganhar por "Amor e outras drogas". Eu acho...

ATOR COADJUVANTE - Quem anda arrebatando todos os prêmios da categoria é Christian Bale, por sua performance como o irmão viciado de Mark Wahlberg em "O vencedor". Extremamente magro em cena (assim como o fez no assustador "O operário"), ele merece o prêmio até por ter dado credibilidade à nova versão de Batman, de Christopher Nolan, e é um ator agrada público e crítica. Porém, Geoffrey Rush também está na batalha por "O discurso do rei" e Andrew Garfield (o próximo Homem-aranha) também vem amealhando elogios e prêmios por "A rede social". A briga promete ser boa, mesmo porque pode ser que resolvam homenagear Michael Douglas, que está bastante doente, por seu trabalho em "Wall Street, o dinheiro nunca dorme".

ATRIZ COADJUVANTE - Extremamente querida pela crítica, a inglesa Helena Bonham-Carter, por incrível que pareça só concorreu ao Oscar uma única vez, em 1997, por "Asas do amor". Este ano ela pode ter mais sorte e sair vitoriosa por sua interpretação da esposa de Colin Firth em "O discurso do rei". Para isso ela precisa bater duas atrizes de "O vencedor" (a onipresente Amy Adams e a respeitada Melissa Leo), a ousada Mila Kunis ("Cisne negro") e a premiada Jacki Weaver ("Animal kingdom"). Talvez seja a categoria menos previsível do ano.

ROTEIRO - "O discurso do rei" foi esnobado pelo sindicato de roteiristas, o que nunca é bom sinal. Isso acaba abrindo caminho para os favoritos do ano, "A origem" (criativo, imprevisível e fascinante) e "A rede social" (inteligente, nervoso e que consegue transformar uma história aparentemente chata em um filme memorável). Assim como na categoria principal, quem sair vencedor é absolutamente merecido.

Bom, minhas apostas estão aí... vamos ver o que nos aguarda no próximo domingo. Em todo caso estarei no twitter comentando cada premiação.... Me sigam....

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ABUTRES

Posted by Clenio on 00:56 in
Ano passado o sensacional "O segredo dos seus olhos" surpreendeu meio mundo ao surrupiar - com justiça - o Oscar de melhor filme estrangeiro das mãos do considerado favorito, o soporífero "A fita azul". Entusiasmados com o sucesso, "los hermanos" tentam novamente concorrer à estatueta com "Abutres", novamente estrelado pelo ótimo Ricardo Darin, mas sem a sublime direção de Juan José Campanella. Comandado pelo competente mas nunca brilhante Pablo Trapero, "Abutres" é um filme extremamente bem feito, tecnicamente impressionante e com atuações bem acima da média. Mas tropeça em um roteiro um tanto arrastado e em personagens não exatamente simpáticos.

Elogiado pela maioria da crítica, o filme se utiliza do fato trágico de cerca de oito mil pessoas morrerem por ano em acidentes automobilísticos na Argentina para apresentar seu protagonista, o advogado Sosa (Ricardo Darin, sempre esforçado), que participa de um esquema nada honesto de indenizações para os familiares das vítimas. Há muito tempo sem saber o que são escrúpulos, ele vislumbra a possibilidade de mudar de vida quando conhece e se apaixona pela médica Luján (Martina Gusman, esposa do diretor). Também dona de uma saudável cota de problemas, ela se entrega ao amor pelo advogado, mas o final feliz não parece assim tão alcançável: Sosa começa a ser perseguido por seus ex-sócios, que não admitem que ele saia do negócio.

"Abutres", ao contrário de "O segredo dos seus olhos" (comparação inevitável), não tem um roteiro tão redondo e fascinante. Apesar de mostrar personagens críveis e humanos, ele não atinge a identificação da plateia, que reage sem maiores sobressaltos aos dramas da história. Violento e realista em suas cenas mais fortes (assassinatos e acidentes de carro são filmados com raro vigor), ele, no entanto, não consegue equilibrá-las com uma trama suficientemente interessante. Em certos momentos, dá a impressão, inclusive, de ser mais longo do que realmente é, o que sempre é sinal de uma certa falta de ritmo.

"Abutres" não é ruim, em absoluto. Mas não cativa a audiência tanto quanto poderia. A Argentina não deverá ser bicampeã este ano.

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MACHETE

Posted by Clenio on 20:03 in
Em 2007, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez lançaram o projeto "Grindhouse", que buscava resgatar os programas duplos de cinema de baixo orçamento e gosto duvidoso. O grande público não entendeu a piada e, com o fracasso comercial do empreendimento seus filmes - "À prova de morte" e "Planeta Terror", respectivamente - foram lançados separadamente pelo resto do mundo. Apesar dos pesares, no entanto, o que mais chamou a atenção de todos foram os trailers falsos que acompanhavam a projeção. Um deles, o de um filme trash de ação estrelado por um mexicano mal-encarado que busca vingança contra seus traidores, chamado "Machete", agradou tanto à platéia que acabou se tornando um filme de verdade, em uma daquelas chamadas ironias do destino. A melhor notícia disso tudo? "Machete" é um filme tão bom quanto o trailer.

Para se gostar de "Machete", porém, é preciso que se esteja familiarizado com o universo criado por Rodriguez - que consegue criar pequenas pérolas com pouco dinheiro desde sua estreia com "El Mariachi", de 1992. No mundo onde suas personagens transitam a violência é exorbitante, o sangue jorra sem parar, todo mundo é canastrão, mulheres sensuais não hesitam em entregar-se a homens cuja virilidade é medida através de metralhadoras e ninguém é totalmente santo. No mundo criado pela imaginação delirante do roteirista/diretor, Danny Trejo, um dos atores mais feios de Hollywood é o herói e galã, Steven Seagal é um traficante de drogas e Robert DeNiro (sim, ele comprou a brincadeira, também) é um senador demagogo e interesseiro. Redescobrindo Don Johnson e dando a Lindsay Lohan o papel de uma jovem transviada (!!??!!) ele entrega a seu público (ao menos aos iniciados em seu cinema um tanto doentio) um dos filmes mais divertidos dos últimos anos, um policial tão ruim, mas tão ruim, que chega a ser ótimo.

É claro que "Machete" tem uma história, ainda que pífia. O protagonista - vivido por Danny Trejo no papel de sua vida - já começa o filme perdendo a mulher e a filha pelas mãos do traficante Torrez (um Steven Seagal quase irreconhecível de tão fora de forma). A sequência inicial dá uma amostra clara do que virá pela frente - muito sangue, explosões, tiroteio e um escapismo vergonhoso (lógico que NENHUMA bala acerta o protagonista, enquanto seu parceiro é praticamente massacrado). Poucos anos depois, o mexicano Machete (assim chamado por sua habilidade com facões e afins) é contratado por Michael Booth (Jeff Fahey) para assassinar o senador John McLaughlin (DeNiro), candidato à reeleição e que é criador de um rígido programa contra a imigração ilegal. Quando descobre que foi usado em uma conspiração, ele parte em busca de provar sua inocência, contando com a ajuda da policial Sartana Rivera (Jessica Alba, ruim de doer).

A partir daí é pancadaria sem dó nem piedade. Robert Rodriguez e sua turma entram ensandecidos em uma trama deliciosamente exagerada, inverossímil e muito, muito engraçada. "Machete" não é para ser levado a sério. É uma brincadeira entre amigos, que deu certo - rendeu quase o triplo de seu orçamento - e tem tudo para tornar-se um cult absoluto. Não é para qualquer público, mas quem entender o espírito da coisa jamais esquecerá.

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TALVEZ TENHA SIDO BOM ENQUANTO DUROU

Posted by Clenio on 02:02 in
C.

Em primeiro lugar, muitíssimo obrigado por ser esse babaca ridículo e sentimentalóide que acredita em contos de fadas. Devido a essa sua particularidade patética foi-me facílimo te envolver em minhas palavras bonitas, ainda que muitas vezes incoerentes. Por causa da sua burrice - desculpe-me usar esse adjetivo tão desagradável, mas foge-me à lembrança outro de mesmo teor e significado - não foi-me difícil te fazer acreditar que eu te amava. Sim, você abriu sua alma diante do computador, incentivado por minha máscara de rapaz sensível e sentimentalmente íntegro. Sim, você acreditou que eu estivesse falando minhas verdades pra você. Coitado!!!

Agradeço por você ter me ouvido pacientemente a respeito dos meus problemas - eles são reais, acredite, mas se eu quisesse realmente eu os teria resolvido menos dramaticamente. Aproveito inclusive para agradecer seus conselhos, seu esforço em levantar meu astral, mesmo que eu em nenhum momento tenha me preocupado em saber se você estava realmente bem. Sabe como é, a gente pergunta, mas ter real interesse gasta muita energia e eu prefiro gastá-la bebendo por aí...

Fico feliz (ou pelo menos acho que fico, porque felicidade não é um conceito que me seja familiar) em saber que você realmente se apaixonou por mim e que me ama. É sempre bom saber que existe alguém - em alguma parte do mundo - que gosta de mim (ou pela imagem que eu projetei, o que no fundo dá na mesma, já que você nunca me conhecerá, de qualquer jeito. Nunca pensei em te conhecer pessoalmente e não acredito que você tenha pensado, apesar de estar quase com a passagem nas mãos. Um conselho? Use o dinheiro pra pagar um terapeuta, você precisa...).

Eu até pediria desculpas pelo tempo que te fiz perder ouvindo minhas declarações de amor falsas, pelos telefonemas interurbanos feitos porque você queria ouvir a minha voz. Até me desculparia pelos momentos de angústia que te fiz passar quando te fiz duvidar dos meus sentimentos. Poderia ter um pouquinho de remorso por simplesmente ter desaparecido da sua vida quando você mais precisava do meu apoio e do meu ombro amigo ou por ignorar por completo o que você achava que havia entre nós. Pediria desculpa por não ter tido o mínimo de hombridade de dar um tchau...Mas repito que é um gasto de energia que não me faz a cabeça... Eu preciso descansar e me encontrar. Ser feliz me tiraria a aura negativa que demorei tanto tempo a adquirir.

Talvez eu admitisse que só sei o significado da palavra amor quando ele é impossível, inatingível, distante, e que vê-lo chegando perto de mim me assusta. Mas pra isso eu teria que ter uma coragem que me falta, assim como escrúpulos e consideração pelos sentimentos dos outros. Sim, te ignoro porque, pra mim, você não passou de um passatempo que me aborreceu quando percebi que teria que ter responsabilidades que não me convém... Nem agora nem nunca, talvez.

Pra não parecer tão frio, tenho que te agradecer também porque você me deu munição para meses e meses de risadas pelas mesas de bares. Você vai ser assunto por aqui, espero que não se importe. Por muito tempo eu e minhas amigas lembraremos do trouxa que se deixou envolver por uma falsa esperança de ser amado por mim - ou por quem quer que seja... Eu teria certa pena de você, se eu tivesse coração...

Sei que a essa altura você me bloqueou no Twitter e talvez tenha me excluído do seu orkut e afins - porque, segundo você, ter que ver minha vida seguindo normalmente te machuca. Que seja, nunca me importei com você, mesmo, e minha indiferença a você nesses últimos dias é uma prova contudente disso, não?? Talvez um dia você consiga - assim como eu faço agora - rir disso tudo e me perdoar. Mas se não conseguir... I don't care.

Eu seria cínico demais se dissesse que quero te ver feliz, mas um pouco mais de insensibilidade vinda de mim não te surpreende, não é? Sendo assim... seja feliz.

T.

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2011 - PRIMEIROS (FRACOS) FILMES

Posted by Clenio on 20:52 in
Nada de festa, nada de euforia sem sentido. Antes de tentar ir a uma festa e ficar 40 minutos em uma fila repleta de menores de idade (bela maneira de começar um ano...) resolvi ficar os primeiros dias do ano assistindo a filmes, o maior prazer da minha vida que dispensa um banho depois... E espero honestamente que não seja um presságio para o ano que está iniciano, mas os dois primeiros filmes não foram lá muito bons. Segue comentários:

INSTINTO DE VINGANÇA

Ridley Scott e seu irmão Tony produziram esse suspense sem muito sentido, estrelado por um Josh Lucas tentando provar-se ator sério. Ele interpreta Terry Bernard, um homem que, cinco meses após um transplante de coração, passa a ter uma série de visões relacionadas à morte violenta de seu doador. Sem conseguir controlar-se, ele inicia uma espécie de vingança contra os envolvidos no crime, assassinando-os friamente. Contando com a ajuda do policial encarregado do caso (Brian Cox, ótimo como sempre) e com o apoio da médica de sua filha (Lena Headey), ele tenta impedir-se de continuar a matança, enquanto investiga as circunstâncias do assassinato. A direção é fraca, a fotografia tenta ser modernosa e o roteiro é absolutamente incongruente - não há motivo nenhum, por exemplo, em dar uma doença degenerativa à filha do protagonista. É uma completa perda de tempo.

OS GAROTOS ESTÃO DE VOLTA

Clive Owen é um ótimo ator, sem sombra de dúvida, e é a razão principal de ser desta adaptação da autobiografia do repórter esportivo Joe Carr, dirigida por Scott Hicks (indicado ao Oscar pelo longínquo "Shine", de 1996). Owen, também produtor executivo do filme, interpreta o autor do livro, um jornalista inglês que, após a morte da segunda mulher, é obrigado a cuidar do filho de oito anos de idade, mesmo sem ter a menor noção de como fazê-lo. Quando recebe a visita do filho mais velho, um pré-adolescente fruto de seu primeiro casamento, as coisas ficam ainda mais complicadas, porque ele precisa lidar com os dois filhos, o emprego e as brigas com a sogra, além de um relacionamento hesitante com a mãe de uma das colegas de aula do caçula. A direção de Hicks é sensível, Owen convence e a trilha sonora casa perfeitamente com as belas imagens, mas o fraco desempenho do menino Nicholas McAnulty compromete parte do resultado final. É um filme que não fará feio nos Supercine da vida, mas que poderia ser bem melhor. O fato de praticamente passar em branco nas cerimônias importantes de premiação já é uma pista de que não é exatamente bom, apesar de não ser ruim. Clive Owen vale a locação.


ROBIN HOOD

Mais do mesmo. A reunião da dupla Ridley Scott/Russell Crowe não passa nem perto do superespetáculo de "Gladiador", nem em termos artísticos nem em números. Fracasso de bilheteria nos EUA - nem conseguiu se pagar no mercado doméstico - é um filme bem feito, bem cuidado, bem interpretado, mas também já visto dezenas de vezes desde que Maximus Decimus Meridius chegou às telas em 2000. Talvez Crowe seja velho demais para o papel, e não há como negar que, a despeito da produção caprichada, essa nova versão de "Robin Hood" deixa muito a desejar. As cenas de batalha não são exatamente empolgantes, a trama soa confusa em alguns momentos e nem mesmo Cate Blanchett tem chances de brilhar. Uma ótima sessão da tarde, mas facilmente esquecível, o que é pena de morte para qualquer aspirante a clássico. Podia ser pior, mas também podia ser melhor.

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