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O NOIVO DA MINHA MELHOR AMIGA

Posted by Clenio on 23:04 in
Comédias românticas tendem, fatalmente, ao mais desbragado clichê. Dificilmente um filme do gênero consegue fugir das armadilhas que mais de um século de cinema propõe, especialmente se for levado em conta que o público que o consome também não é exatamente sedento por novidades. Mais um exemplar derivativo e sem maiores novidades, "O noivo da minha melhor amiga" é um amontoado de situações já vistas centenas de vezes em filmes melhores (e outros francamente piores). Dirigida por Luke Greenfield, mais conhecido pela comédia "Um amor de vizinha", esta adaptação de um livro direcionado para mulheres escrito por Emily Giffin até consegue fazer rir em alguns momentos (principalmente graças a seus coadjuvantes), mas peca por não ousar nem explorar a contento o talento de suas protagonistas. A seu favor, porém, existe a escalação de Ginnifer Goodwin no papel central. Simpática e talentosa, ela finalmente tem a chance de ter seu nome liderando um elenco e se sai bastante bem.

Goodwin vive Rachel, uma advogada de 30 anos que tem uma relação de grande lealdade e companheirismo com sua amiga de infância, a expansiva Darcy (Kate Hudson, divertida e à vontade mesmo em segundo plano). Dois meses antes do casamento de Darcy, porém, Rachel cede à tentação e passa uma noite de amor com o noivo desta, o sedutor Dex (Colin Egglesfield), por quem é apaixonada desde a época da faculdade. Ao descobrir que o rapaz a ama, ela fica dividida entre a amizade e a paixão, desabafando suas dúvidas com o fiel Ethan (John Krasinski, da série "The Office").

Quem tem o hábito de assistir a comédias românticas não verá nada de novo em "O noivo da minha melhor amiga". Até mesmo o título em português força uma semelhança com um dos mais bem-sucedidos produtos do gênero, estrelado por Julia Roberts em 1997. Mesmo que conte com algumas piadas interessantes (normalmente referentes a outros filmes, como "Atração fatal"), mais uma vez o trunfo está em seu elenco secundário. Kate Hudson (que já tem no currículo o péssimo "Noivas em guerra") está novamente luminosa, mesmo na pele de uma irritante e egocêntrica Darcy e John Krasinski usa e abusa de seus trejeitos de bom rapaz bem-humorado (principalmente quando contracena com a ótima Ashley Williams). São suas intervenções que fazem com que o filme respire, já que a história de amor entre Rachel e Dex cansa depois de trinta minutos de projeção (e tudo se estende por desnecessárias duas horas).

Em resumo, "O noivo da minha melhor amiga" é mais do mesmo. Não mudará a história do cinema nem tampouco se tornará o filme preferido de alguém. Mas pode agradar a quem procura uma diversão inofensiva. E não há como não simpatizar com um filme que utiliza a bela "Fake plastic trees", da banda Radiohead na trilha sonora....

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DA ARTE DE FALAR BANALIDADES COM O GRANDE AMOR...

Posted by Clenio on 13:02 in ,
Ao som de "Rolling in the deep", de Adele

- Oi, tudo bem? (Que saudade infernal de você!)
- Tudo bem, levando a vida. E você?
- No alarms and no surprises. Tudo tranquilo. (Só uma vontade tão indescritível de beijar a tua boca que nem me deixa dormir.) Como vai a faculdade?
-Tenho um trabalho pra entregar amanhã e ainda nem comecei. Mas se eu me concentrar faço rapidamente. E seus projetos, como vão?
- Mil e um projetos, nenhum a curtíssimo prazo. Você sabe, sou meio preguiçoso. (Mas mesmo assim eu faria qualquer coisa pra te ter, nem que seja viajar milhares de quilômetros.)
- Ainda trabalhando no mesmo lugar?
- Sim, paga minhas contas. Enquanto não ganho na MegaSena não tenho outro jeito. (E se eu ganhasse na MegaSena a primeira coisa que eu faria era te sequestrar e te manter como meu refém pro resto da vida.)
- Eu quero ganhar mas nunca jogo!
- Mas você deveria tentar... vai que um dia a sorte está do seu lado. (E você pode finalmente vir me visitar, sem desculpa financeira nenhuma e eu vou te provar o quanto te amo assim que você olhar nos meus olhos....)
- A sorte nunca está do meu lado!
- Isso é o que todo mundo diz.... (Você teve a sorte de despertar todo o amor grandioso que eu tenho dentro de mim... se isso não é sorte eu não sei o que pode ser....)
- Por que você nunca me chama pra conversar por aqui?
- Eu nunca sei quando você está on-line... (Sei, sim, mas evito a tristeza de lembrar que você existe longe de mim.)
- Sempre que estou aparece a minha foto à sua esquerda...
- ...
- Ainda está aí?
- (Sim, estou aqui, querendo te dizer que não falo com você porque falar com você essas banalidades me corta o coração, me sufoca, me entristece, me dá vontade de chorar, de gritar, de espancar qualquer pessoa que se mostre feliz perto de mim.)
- Pode falar?
- Sim, estava no telefone. (Mentira, estava querendo falar a verdade: que eu te amo e conversar sobre amenidades com você é a minha versão de tortura maior). Tenho que sair. Estou com frio.
- Boa noite e boa semana.
- Pra você também. (Te desejo toda a felicidade do mundo, hoje e sempre.... e seria perfeito se essa felicidade toda fosse ao meu lado...)

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AS COISAS IMPOSSÍVEIS DO AMOR

Posted by Clenio on 16:23 in
Don Roos é um cineasta interessante. Diretor de filmes como "O oposto do sexo", "Finais felizes" e "De caso com o acaso" - filmes que lidam sobre questões extremamente humanas de maneira carinhosa e/ou contundente - ele é também um exímio roteirista. Infelizmente, em seu "As coisas impossíveis do amor" ele parece ter perdido um pouco a mão. Não que a adaptação do romance de ... seja ruim, mas está bem longe de apresentar o sarcasmo e a pungência de seus melhores trabalhos. A impressão que se tem é que Roos quer mostrar a seu público uma maturidade temática que não combina muito bem com sua visão ácida da vida. Seu novo filme - que saiu direto em DVD no Brasil - só consegue emocionar porque conta com mais uma inspirada atuação de Natalie Portman, que faz o que pode para dar consistência a um roteiro bem mais ou menos.

Linda como sempre, Portman vive Emilia Greenleaf, uma jovem casada com um advogado mais velho (Scott Cohen, apático), que precisa lidar com os problemas relativos a um segundo casamento: a ex-esposa do marido, Carolyn (Lisa Kudrow, sempre eficiente, mesmo em papéis dramáticos) e o filho deste, o pequeno William (Charlie Tahan), não exatamente simpático e acessível a seus carinhos. Além dos desaforos de Carolyn - que compreensivelmente não simpatiza muito com a mulher que lhe roubou o marido - Emilia ainda precisa conviver com o sentimento de ter perdido a filha recém-nascida.

Não existe, em "As coisas impossíveis do amor" (título, aliás, completamente idiota), o humor sardônico de "O oposto do sexo", por exemplo, e a delicadeza de "De caso com o acaso". Roos construiu um filme lento, de emoções contidas e culpas mal assimiladas, mas peca em nunca defender de forma adequada sua protagonista. Emilia é uma pessoa falível, com defeitos e qualidades, mas o roteiro não se esforça em provocar a empatia da audiência com seus problemas. Prejudicada pela falta de entusiasmo de seu parceiro de cena Scott Cohen, Portman tem trabalho dobrado em tentar carregar tudo nas costas, mas o faz com a classe e o talento usuais. Quem gosta de um drama pode gostar do resultado final, mas é Natalie quem justifica uma espiada no filme.

Mais sobre cinema em http://www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com/
                                   http://www.confrariadecinema.com.br/
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SEXO SEM COMPROMISSO

Posted by Clenio on 11:41 in
O cartaz é atraente. O título é sugestivo. A atriz central - merecida vencedora mais recente do Oscar - é linda e talentosa. O mocinho é simpático e, quando bem dirigido, chega a convencer que é bom ator. O diretor tem nome (seu currículo inclui o mega-sucesso "Os caça-fantasmas"). Mas "Sexo sem compromisso" é muito ruim. Chato de doer, arrastado, previsível e - pior de tudo - nada sexy, o que era pra ser uma comédia romântica descompromissada acaba se tornando quase uma tortura que nem mesmo o talento e a beleza de Natalie Portman conseguem salvar do tédio.

"Sexo sem compromisso" conta a historinha pra boi dormir - que os fãs do gênero conhecem de cor e que aqui só irrita - de Emma (Portman, sempre linda) e Adam (Ashton Kutcher), um casal de jovens solteiros, livres e desimpedidos que resolvem iniciar uma relação baseada somente em sexo, sem romantismo, sem mãos dadas, sem noites de sono compartilhadas. Porém, o que serve perfeitamente para a vida sem horários de Emma, uma jovem estudante de Medicina, começa a incomodar Adam, um aspirante a roteirista que tem uma relação complicada com o pai, um ator de televisão de relativo sucesso (vivido por um mal-aproveitado Kevin Kline). Quando tenta avançar em sua relação com Emma, Adam esbarra na teimosia da jovem em não se deixar envolver.

É de se perguntar os motivos que levaram Portman a aceitar tomar parte de tão grande equívoco. O roteiro é raso e sem maiores chances de interpretação. Ivan Reitman parece estar no piloto automático - seu filho Jason, de "Amor sem escalas" caminha célere para superar seu prestígio. E, se Ashton Kutcher é divertido e carismático, não é milagreiro. Com uma personagem tão passiva em mãos, não há o que se fazer para consertar o resultado. Além do mais, a trama de "relacionamentos baseados puramente no prazer sexual" já foi melhor retratada recentemente (e com mais sensualidade e talento) em "Amor e outras drogas", onde Anne Hathaway e Jake Gylenhaal se atracavam com mais vontade e convenciam bem mais o público.

"Sexo sem compromisso" não dá pra recomendar. É um passo em falso na carreira de todos os envolvidos. Se Natalie Portman queria descansar da exaustão provocada por "Cisne negro" deveria ter ficado em casa dormindo....

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THAT PARTICULAR TIME

Posted by Clenio on 15:17 in ,
Naquele momento específico eu queria alguém que me entendesse. Alguém que conseguisse me enxergar através de palavras duras e sentimentos tristes. Uma pessoa que reconhecesse em mim a minha essência, o meu valor, a minha verdade. Eu queria uma alma especial que se identificasse com todas aquelas angústias que fervilhavam dentro de mim e que, através dessa identificação, me arrebatasse para fora de um mundo opressivamente comum e frustrante. Naquele momento específico, em que eu havia perdido de vez a esperança de encontrar alguém que partilhasse comigo a ojeriza pelo medíocre e pela preguiça sentimental, eu a encontrei. Uma alma. Um corpo. Uma voz. E naquele momento específico eu passei a desejar mais.

Eu quis mais. Em um outro momento em especial eu desejei um encontro, um beijo, um abraço. Desejei que nossos corpos tivessem a mesma sintonia que nossas mentes, que nossos corações. Desejei que não houvesse a distância física entre nós, que toda e qualquer dificuldade prosaica fosse apenas uma névoa passageira. Ansiei pela coragem mútua, pela paciência, pelo desespero intransigente, pela força de vontade inquebrantável. Naquele momento específico eu me iludi acreditando que nada poderia nos separar. E passei a desejar ainda mais.

Eu queria estar contigo, não importa como nem onde. Eu queria mudar de vida, de nome, de cidade, de país se fosse necessário para ficar ao teu lado. Eu queria simplesmente te tocar, ao menos uma vez, para sentir teu perfume, para ouvir tua voz sussurrando ao meu ouvido. Eu queria sentir tuas mãos, tua boca, tua pele. Eu queria desafiar o mundo para estar contigo. Mandar pros quintos dos infernos tudo que nos impedisse de ser feliz. Eu tinha dentro de mim a coragem de lutar contra o que fosse, por acreditar no seu amor. Queria matar dragões, decapitar Marias Antonietas, executar talibãs, tudo para te ver sorrir e acreditar em um mundo de paz e felicidade. Mas eu também sofria. E naquele momento específico não me bastavam palavras. Naquele momento eu precisei de provas. Naqueles dias eu necessitei de colo (mesmo que virtual). Naquela específica situação eu precisei de você. E hoje eu preciso ainda mais.

Naqueles dias de trovões constantes sobre minha alma eu desejei que você sofresse, que morresse de saudades, que gritasse por meu nome, que sentisse a minha falta mais do que de oxigênio. Eu quis te bater, te chutar, te sacudir, te fazer notar fisicamente todo o meu amor transformado em frustração. Mas nunca, nem mesmo nesses dias melancólicos eu realmente quis o seu mal. Eu sempre quis te ver feliz, mesmo que as aparências dissessem o contrário. Mas hoje eu preciso de outras coisas.

Preciso que você perceba o quanto te amo e o quanto preciso do seu amor. Preciso que você entenda que quero te arrancar de seu calabouço de dor e tristeza. Mas que, nesse momento específico, eu também preciso de uma palavra sua para iluminar a minha vida.

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