3
QUERO MATAR MEU CHEFE
Posted by Clenio
on
19:57
in
CINEMA 2011
Às vezes, para se divertir realmente em uma sala de cinema é preciso deixar do lado de fora alguns preconceitos e embarcar na proposta do diretor sem criar muita expectativa, em especial quando se trata de uma comédia. Fazer rir é uma arte, e infelizmente nem todo mundo ri das mesmas coisas (se assim fosse, coisas como "Vovó...zona" e "As branquelas" seriam banidas de exibição no planeta). De vez em quando, porém, alguns filmes atingem aquela zona comum entre vários públicos e, mesmo que não possam ser considerados exatamente diversão de alta classe, conseguem fazer rir desde fãs de Woody Allen até seguidores de Jim Carrey. Foi isso que aconteceu, por exemplo, com "Se beber, não case", que virou febre e rendeu continuação. E é isso que também ocorre com "Quero matar meu chefe", uma divertidíssima bobagem que segue a linha do já citado "Se beber", mas com um humor menos grosseiro. Quer dizer, UM POUCO menos grosseiro. A fórmula é quase a mesma (três protagonistas talentosos mas pouco conhecidos jogados em uma situação extrema), mas aqui dois elementos fazem a grande diferença: um roteiro mais desenvolvido e um elenco coadjuvante hilariante.
Tudo bem: antes que me atirem pedras, devo esclarecer que, quando digo que o roteiro é mais desenvolvido eu estou falando sobre a trama mais redonda, personagens secundários mais interessantes e um final mais satisfatório do que "Se beber, não case" (referência maior por ter sido o deflagrador de maior sucesso da onda de comédias adultas atuais). O script não é estarrecedor nem inovador, é uma sequência de piadas muito engraçadas - em níveis diferentes mas sempre hilárias, seja em referências culturais (e até mesmo Alfred Hitchcock é citado) ou apelando para o baixo nível (convenhamos, é uma comédia que não quer aumentar o QI de ninguém, apenas fazer rir). Mas é um roteiro defendido com garra por um elenco impecável.
O discreto Jason Bateman vive Nick Hendricks, que acaba de ter sua promoção roubada pelo próprio patrão, o egocêntrico, ciumento e venal Dale Harken (Kevin Spacey deitando e rolando em um papel que lembra seu trabalho no pouco visto "O preço da ambição"). O pouco conhecido Jason Sudeikis interpreta Kurt Buckman, homem dedicado ao trabalho que vê o herdeiro da empresa, o viciado em cocaína e mulherengo Bobby Pellitt (um irreconhecível Colin Farrell tirando sarro da própria imagem) com intenções de dilapidar o patrimônio de seu falecido pai. E o sensacional Charlie Day faz o papel de Dale Arbus, um assistente de dentista que, recentemente noivo, é assediado sexualmente pela chefe, a ninfomaníaca Julia Harris (Jennifer Aniston), que ainda por cima o chantageia. Sofrendo com o ódio que sentem por seus superiores, os três amigos tem a ideia de eliminá-los. Contando com a ajuda do misterioso Motherfucker Jones (Jamie Foxx, também ótimo), eles bolam um plano infalível que os livrará para sempre do jugo cruel dos poderosos chefões.
É para entrar na sala de cinema com uma única coisa na cabeça: é uma comédia, e como tal deve ser apreciada. A química entre o elenco central - e os brilhantes coadjuvantes - e o ritmo ágil que nunca deixa a plateia descansar entre uma situação bizarra e outra são qualidades gritantes, mas é essencial que o público compre a brincadeira. Se não é seu tipo de comédia, fuja, vá rever "Meia-noite em Paris" sem problema. Mas quem gosta de rir sem preocupação com o politicamente correto ou quem está disposto a deixar a sisudez de lado por pouco menos de duas horas, é um prato cheio. E é melhor que "Se beber, não case", um perfeito exemplo de alucinação coletiva. Tenho dito!
Tudo bem: antes que me atirem pedras, devo esclarecer que, quando digo que o roteiro é mais desenvolvido eu estou falando sobre a trama mais redonda, personagens secundários mais interessantes e um final mais satisfatório do que "Se beber, não case" (referência maior por ter sido o deflagrador de maior sucesso da onda de comédias adultas atuais). O script não é estarrecedor nem inovador, é uma sequência de piadas muito engraçadas - em níveis diferentes mas sempre hilárias, seja em referências culturais (e até mesmo Alfred Hitchcock é citado) ou apelando para o baixo nível (convenhamos, é uma comédia que não quer aumentar o QI de ninguém, apenas fazer rir). Mas é um roteiro defendido com garra por um elenco impecável.
O discreto Jason Bateman vive Nick Hendricks, que acaba de ter sua promoção roubada pelo próprio patrão, o egocêntrico, ciumento e venal Dale Harken (Kevin Spacey deitando e rolando em um papel que lembra seu trabalho no pouco visto "O preço da ambição"). O pouco conhecido Jason Sudeikis interpreta Kurt Buckman, homem dedicado ao trabalho que vê o herdeiro da empresa, o viciado em cocaína e mulherengo Bobby Pellitt (um irreconhecível Colin Farrell tirando sarro da própria imagem) com intenções de dilapidar o patrimônio de seu falecido pai. E o sensacional Charlie Day faz o papel de Dale Arbus, um assistente de dentista que, recentemente noivo, é assediado sexualmente pela chefe, a ninfomaníaca Julia Harris (Jennifer Aniston), que ainda por cima o chantageia. Sofrendo com o ódio que sentem por seus superiores, os três amigos tem a ideia de eliminá-los. Contando com a ajuda do misterioso Motherfucker Jones (Jamie Foxx, também ótimo), eles bolam um plano infalível que os livrará para sempre do jugo cruel dos poderosos chefões.
É para entrar na sala de cinema com uma única coisa na cabeça: é uma comédia, e como tal deve ser apreciada. A química entre o elenco central - e os brilhantes coadjuvantes - e o ritmo ágil que nunca deixa a plateia descansar entre uma situação bizarra e outra são qualidades gritantes, mas é essencial que o público compre a brincadeira. Se não é seu tipo de comédia, fuja, vá rever "Meia-noite em Paris" sem problema. Mas quem gosta de rir sem preocupação com o politicamente correto ou quem está disposto a deixar a sisudez de lado por pouco menos de duas horas, é um prato cheio. E é melhor que "Se beber, não case", um perfeito exemplo de alucinação coletiva. Tenho dito!


