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QUERO MATAR MEU CHEFE

Posted by Clenio on 19:57 in
Às vezes, para se divertir realmente em uma sala de cinema é preciso deixar do lado de fora alguns preconceitos e embarcar na proposta do diretor sem criar muita expectativa, em especial quando se trata de uma comédia. Fazer rir é uma arte, e infelizmente nem todo mundo ri das mesmas coisas (se assim fosse, coisas como "Vovó...zona" e "As branquelas" seriam banidas de exibição no planeta). De vez em quando, porém, alguns filmes atingem aquela zona comum entre vários públicos e, mesmo que não possam ser considerados exatamente diversão de alta classe, conseguem fazer rir desde fãs de Woody Allen até seguidores de Jim Carrey. Foi isso que aconteceu, por exemplo, com "Se beber, não case", que virou febre e rendeu continuação. E é isso que também ocorre com "Quero matar meu chefe", uma divertidíssima bobagem que segue a linha do já citado "Se beber", mas com um humor menos grosseiro. Quer dizer, UM POUCO menos grosseiro. A fórmula é quase a mesma (três protagonistas talentosos mas pouco conhecidos jogados em uma situação extrema), mas aqui dois elementos fazem a grande diferença: um roteiro mais desenvolvido e um elenco coadjuvante hilariante.

Tudo bem: antes que me atirem pedras, devo esclarecer que, quando digo que o roteiro é mais desenvolvido eu estou falando sobre a trama mais redonda, personagens secundários mais interessantes e um final mais satisfatório do que "Se beber, não case" (referência maior por ter sido o deflagrador de maior sucesso da onda de comédias adultas atuais). O script não é estarrecedor nem inovador, é uma sequência de piadas muito engraçadas - em níveis diferentes mas sempre hilárias, seja em referências culturais (e até mesmo Alfred Hitchcock é citado) ou apelando para o baixo nível (convenhamos, é uma comédia que não quer aumentar o QI de ninguém, apenas fazer rir). Mas é um roteiro defendido com garra por um elenco impecável.

O discreto Jason Bateman vive Nick Hendricks, que acaba de ter sua promoção roubada pelo próprio patrão, o egocêntrico, ciumento e venal Dale Harken (Kevin Spacey deitando e rolando em um papel que lembra seu trabalho no pouco visto "O preço da ambição"). O pouco conhecido Jason Sudeikis interpreta Kurt Buckman, homem dedicado ao trabalho que vê o herdeiro da empresa, o viciado em cocaína e mulherengo Bobby Pellitt (um irreconhecível Colin Farrell tirando sarro da própria imagem) com intenções de dilapidar o patrimônio de seu falecido pai. E o sensacional Charlie Day faz o papel de Dale Arbus, um assistente de dentista que, recentemente noivo, é assediado sexualmente pela chefe, a ninfomaníaca Julia Harris (Jennifer Aniston), que ainda por cima o chantageia. Sofrendo com o ódio que sentem por seus superiores, os três amigos tem a ideia de eliminá-los. Contando com a ajuda do misterioso Motherfucker Jones (Jamie Foxx, também ótimo), eles bolam um plano infalível que os livrará para sempre do jugo cruel dos poderosos chefões.

É para entrar na sala de cinema com uma única coisa na cabeça: é uma comédia, e como tal deve ser apreciada. A química entre o elenco central - e os brilhantes coadjuvantes - e o ritmo ágil que nunca deixa a plateia descansar entre uma situação bizarra e outra são qualidades gritantes, mas é essencial que o público compre a brincadeira. Se não é seu tipo de comédia, fuja, vá rever "Meia-noite em Paris" sem problema. Mas quem gosta de rir sem preocupação com o politicamente correto ou quem está disposto a deixar a sisudez de lado por pouco menos de duas horas, é um prato cheio. E é melhor que "Se beber, não case", um perfeito exemplo de alucinação coletiva. Tenho dito!

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O CASAMENTO DO MEU EX

Posted by Clenio on 22:34 in
Ok, tudo bem que todo mundo adora jogar pedras em comédias românticas, acusando-as de serem umas iguais às outras, sem criatividade e sem mudar nem mesmo os elencos. Mas nem isso justifica que um filme como "O casamento do meu ex" seja feito. Talvez com o objetivo de dar mais densidade a um gênero tão criticado, a diretora/roteirista/produtora Galt Niederhoffer optou por polir sua trama com um falso verniz intelectualóide, como se citar John Keats fosse o bastante para disfarçar um roteiro incongruente e gratuito. Também autora do romance que deu origem ao filme, Niederhoffer tencionou entregar ao público um drama geracional, mas só o que consegue é provocar bocejos.

A trama nem é tão original quanto deveria: um grupo de amigos de faculdade se reúne para celebrar o casamento da delicada Lila (a insuportável Anna Paquin). Uma das madrinhas do casamento é sua melhor amiga, Laura (Katie Holmes), que tem suas próprias razões para não estar nada empolgada com a cerimônia: ela ainda é apaixonada pelo noivo, o charmoso Tom (Josh Duhamel), com quem manteve um caloroso romance que acabou de forma abrupta. Enquanto o noivo tenta tomar coragem em levar adiante sua decisão e Laura força seus sentimentos para não ofender a amiga, os demais convidados fazem um balanço de suas vidas até então e uma troca de casais começa a insinuar-se.

O maior problema de "O casamento do meu ex" (cujo título nacional força a semelhança com outras bobagens ao menos mais divertidas) é a absoluta falta de sentido de seu roteiro. Os personagens criados por Niederhoffer não tem carisma e suas atitudes são imaturas e não dão espaço para maiores discussões ou interesse. A "troca de casais" sugerida pela trama - que acontece apenas pela metade - é gratuita e deslocada e até mesmo o triângulo amoroso central é sofrível. Katie Holmes substituiu Liv Tyler (e assumiu um papel de produtora executiva) mas não consegue convencer como atriz dramática. Josh Duhamel se esforça mas funciona melhor como o galã bobalhão de filmes menos ambiciosos como "Juntos pelo acaso". E Anna Paquin consegue ser irritante mesmo quando está em silêncio nas cenas. Seu trabalho é tão fraco e sua personagem tão chata que fica difícil imaginar o que alguém como Tom poderia querer casando-se com ela, e isso fragiliza toda a estrutura da trama central.

Resumindo, "O casamento do meu ex" é a prova cabal de que comédias românticas previsíveis, ainda que não acrescentem nada à história do cinema, ao menos divertem sua audiência cativa. O drama raso proposto por Gail Niederhoffer só serve para provocar sono no público. Tentar ser eruditoe profundo sem o ser chega a ser vergonhoso.

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CAPITÃO AMÉRICA

Posted by Clenio on 22:27 in
O cineasta Joe Johnston tem no seu currículo alguns filmes que podem ser tranquilamente encaixados na categoria "entretenimento rápido e eficaz", como o longínquo "Querida, encolhi as crianças" e o divertido "Jumanji", mas também consegue ficar muito aquém das expectativas, como o comprovam "Jurassic Park III" e "O lobisomem". De certa forma a sua visão de um ícone ianque, o Capitão América, pode ser considerado um meio-termo entre seus dois extremos. Não é um show de filme como "X-Men" mas também não chega a ser tão risível quanto "Quarteto fantástico" (sintomaticamente com o mesmo Chris Evans no elenco). É um passatempo honesto, escapista e, que, apesar de parecer mais longo do que realmente é (corriqueiros 124 minutos) consegue ser bem-sucedido o suficiente para não fazer feio diante de pesos-pesados como "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" em termos de bilheteria.

A primeira parte de "Capitão América" é a melhor. Johnston consegue criar um bom clima de tensão ao mostrar o comportamento dos EUA diante da guerra e da ameaça nazista e apresenta seu protagonista Steve Rogers de maneira simpática e convincente (em especial graças à computação gráfica que transformou o fortinho Chris Evans em um esquelético aspirante a soldado). Apaixonado pela ideia de defender seu país contra Hitler e seus asseclas, ele é rejeitado inúmeras vezes devido a seu físico franzino e à fragilidade de sua saúde. Só quem vê nele alguém capaz de colaborar no conflito é Abraham Erskine (Stanley Tucci), um cientista que criou um soro com possibilidade de transformar pessoas comuns em super-soldados. O problema é que o soro também está nas mãos de Johann Schmidt (Hugo Weaving), um oficial nazista que tem ambições ainda maiores que as do III Reich. Transformado em herói, Rogers vira o Capitão América, um ídolo nacional, mas, cansado de ser apenas um fantoche em apresentações artísticas, ele resolve partir pro ataque quando vê seu melhor amigo, Bucky (Sebastian Stan) ser prisioneiro de guerra.

Os fãs mais xiitas do Capitão América tal como é visto nos quadrinhos da Marvel provavelmente não gostaram do filme de Johson, uma vez que ele não tem a aura de seriedade dos filmes dos mutantes de "X-Men", por exemplo. Aqueles que vão às salas de cinema com o objetivo de curtir duas horas de diversão, porém, terão pela frente tudo aquilo que o cinemão-pipoca de Hollywood pode oferecer: cenas grandiosas de ação, humor um tanto duvidoso, romance em doses homeopáticas (entre o protagonista e a militar vivida pela fraquinha Hayley Atwell) e um vilão com pretensões megalomaníacas (apesar da maquiagem de Hugo Weaving fazer a audiência lembrar de "O Máskara", com Jim Carrey a cada momento). Chris Evans faz o que pode com uma personagem bastante unidimensional e a aparição de Samuel L. Jackson na cena final remete imediatamente a "Os Vingadores", que estreia em 2012 (e é a maior aposta da Marvel para o ano que vem). É diversão! E como tal pode ser elogiado. Mas não esperem maiores elocubrações filosóficas ou psicológicas. É pegar a pipoca e um bom lugar na sala de exibição.

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HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 2

Posted by Clenio on 00:01 in
Mais de dez anos separam as estreias de "Harry Potter e a Pedra Filosofal" e "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2". Sendo assim, as adaptações da série literária criada pela inglesa J. K. Rowling são mais do que simplesmente produtos cinematográficos: são companheiros de toda uma geração, que criou-se acompanhando, primeiro nos livros e posteriormente na telona, as aventuras de um bruxinho de bom coração que precisa lidar com seu talento para a magia e com as ameaças de um vilão cruel e assustador. Logicamente os fãs devem estar inconsoláveis com o final da saga, mas em compensação eles podem se gabar de algo que é bastante raro nesse árido deserto de ideias que é Hollywood: seus filmes foram melhorando com o tempo e seu capítulo final é, sem dúvida, um filme de orgulhar até o mais cético dos leitores.

A ideia da Warner Bros de dividir o último livro em dois filmes soou, a príncipio, uma forma de explorar até o final a galinha dos ovos de ouro do estúdio. Quem assistiu aos dois filmes, porém, foi obrigado a dar a mão a palmatória. Da forma que está, separado em dois capítulos, "As relíquias da morte" é o perfeito exemplo de adaptação que respeita os convertidos e não esnoba os espectadores eventuais: é filmado com cuidado, tem uma técnica de cair o queixo, uma trilha sonora impecável e, mais do que tudo, um elenco afinado e que mergulha na fantasia sem medo de parecer ridículo. Ao lado dos ótimos e fiéis Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, estão atores do porte de Alan Rickman, Julie Walters, Gary Oldman, Emma Thompson, Helena Bonham-Carter e Michael Gambon. Em nenhum momento eles se comportam como se estivessem em um blockbuster raso: em cena, eles estão tão à vontade quanto em um palco britânico declamando Shakespeare. E é essa seriedade, essa entrega, essa verdade que fazem de "As relíquias da morte" o filmaço que é.

Para quem não sabe, é nesse filme que Harry Potter finalmente tem seu embate final com seu nêmesis, o Lord Voldemort (em uma assustadora e antológica atuação de Ralph Fiennes) - e, como seus fãs cresceram como ele, o diretor David Yates não tem medo de apelar para criaturas apavorantes, cenas violentas e efeitos visuais de arrepiar. Foi-se o tempo em que Potter e seus colegas corriam risco apenas nas partidas de quadribol: agora é a morte que está à espreita (e filmada como foi, é realmente empolgante substituir jogos inocentes por duelos fatais). Podem até reclamar que o filme poderia ter sido um só, mas ver Harry Potter no cinema é um prazer tão ingênuo e divertido que certamente todos os espectadores que já deixaram mais de um bilhão de dólares nas bilheterias desde sua estreia poderiam tranquilamente aguentar terceira, quarta e quinta partes...

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DOIS FILMES COM JENNIFER ANISTON

Posted by Clenio on 20:15 in
Jennifer Aniston é uma boa atriz. Ficar dez anos no ar com o mesmo sucesso não é pra qualquer um, e os fãs saudosos de "Friends" que o digam. Mas a ex- sra. Brad Pitt não se acerta no cinema. Tudo bem que está muito melhor do que seus colegas de elenco, mas não tem coragem de ousar e se arriscar em outro gênero que não comédias românticas - e quando fez isso, com o soturno "Por um sentido na vida", recebeu muitos elogios da crítica. Porém, enquanto ela não ousa e parte pro ataque, o público é obrigado a se contentar em vê-la sempre fazendo o mesmo papel, mudando apenas o colega de cena. Quem duvida que assista a esses dois filmes.

CAÇADOR DE RECOMPENSAS - O diretor Andy Tennant tem bons filmes no currículo - como o belo "Anna e o rei" e o divertido "Hitch", com Will Smith - mas aqui errou feio. Aniston vive a jornalista Nicole Hurley que, em vias de desvendar um caso de homicídio que pode impulsionar sua carreira, passa a ser perseguido por Milo Boyd (Gerard Butler), um caçador de recompenas que pretende capturá-la e levá-la para a delegacia, onde ela está sendo procurada por ter faltado a uma audiência referente à agressão de um policial. O agravante da perseguição: Milo é o ex-marido de Nicole, e logicamente ambos ainda estão apaixonados um pelo outro, ainda que nem pensem em assumir o fato. A química entre Aniston e Butler é agradável, o ator pinta e borda com uma personagem que é a sua cara, mas o roteiro inventou de acrescentar uma desnecessária trama paralela (a investigação policial de Nicole) que tira o ritmo do filme a cada vez em que é lembrada. Vale como sessão da tarde, mas nada mais do que isso.

ESPOSA DE MENTIRINHA - Adam Sandler chamou seu comparsa Dennis Dugan para comandar essa comédia bobinha que perde o rumo em sua segunda metade, mas ainda assim pode arrancar algumas gargalhadas (em especial em seu terço inicial, antes que as personagens partam em viagem para o Havaí). O humorista interpreta Danny Maccabee, um cirurgião plástico que, depois de abandonado no altar, nunca mais se interessou por compromissos sérios, pulando de cama em cama durante anos usando a velha desculpa da aliança de casado. Quando ele cai de amores pela fútil Palmer (Brooklyn Decker) a coisa muda de figura, mas, para conquistá-la, ele precisa convencê-la de que a aliança que ela encontrou em seu bolso não significa nada e que ele está se divorciando. Para fazer o papel de sua esposa nessa patética representação, ele pede ajuda à sua secretária, a bela Katherine (Aniston em pessoa), uma jovem divorciada e mãe de dois filhos pequenos. Logicamente ela aceita a proposta, todos viajam para o Havaí (em uma ideia sem muito cabimento) e lá encontram uma ex-colega de Katherine, a esnobe Devlin (Nicole Kidman totalmente perdida), que pode por tudo a perder. Quem assiste à novela "Insensato coração" talvez tenha percebido a semelhança da trama central com o romance entre as personagens de Petrônio Gontijo e Isabela Garcia, mas o fato é que o filme, apesar de ter seus momentos (em especial graças à menininha Bailee Madison, que vive a filha de Aniston, que sonha em ser atriz) é bastante derivativo e sem graça. Mais uma vez, o que vale é a presença sempre cativante de Aniston e a simpatia de Sandler.

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