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ROXETTE E AS CANÇÕES DE AMOR

Posted by Clenio on 12:30 in
"It must have been love but its over now
It was all that I wanted, now I'm living without..."
 
Minha relação com a música é bem menos racional do que passional. Não sou de ficar analisando rimas, métricas e quetais das canções que gosto, uma vez que o que me importa nelas é o que elas passam, tanto em termos emocionais quanto de ritmo. Obviamente amo letras fortes e dilacerantes (daí minha paixão por Chico Buarque e Alanis Morissette), mas também me rendo a batidas dançantes e contagiantes (por isso adoro Madonna, REM e música pop quase em geral). Não quero julgar competências musicais, quero apenas ser arrebatado pelo som, seja pra dançar uma noite inteira ou rasgar meu coração. Dito isso, afirmo que não sou capaz (ao menos em termos críticos) de fazer uma apreciação formal do show dos suecos do Roxette, ontem à noite, aqui em Porto Alegre. Não fui ao show esperando uma revolução musical mas sim uma volta ao passado, a uma adolescência que, se não foi extremamente feliz também não foi marcada por nenhum grande trauma. Acredito que a maioria esmagadora das pessoas que lotaram o Pepsi On Stage buscava a mesma coisa que eu: a sensação de trazer de volta boas lembranças (ou não tão boas assim, mas marcantes de qualquer jeito...) Sendo assim, tenho certeza que a missão foi cumprida: em quase duas horas de show, a plateia cantou, pulou, gritou, vibrou, aplaudiu e se emocionou (enfim, tudo que se faz num bom espetáculo pop) ao cantar sucessos como "It must have been love" (quem nunca assistiu a "Uma linda mulher" que atire a primeira pedra), "Spending my time" (saudades das reuniões dançantes movidas a refrigerante...) e as energéticas "Joyride" e "How do you do?" (que levantou de vez a galera). Foi uma experiência muito boa, mas ao voltar pra casa dois pensamentos aparentemente sem conexão tomaram minha cabeça (e eis aqui a verdadeira razão e objetivo desse post). Explicá-los-ei agora.

O primeiro deles diz respeito ao poder da música. Diferentemente das outras formas de arte como o teatro (que atinge um número relativamente pequeno de espectadores), cinema (cujos produtos são consumidos rapidamente e muitas vezes com uma efemeridade atroz) e literatura (que ainda tem menos adeptos do que o teatro), a música é capaz de atingir uma quantidade imensa de pessoas, de diferentes credos, culturas, sexos, faixas etárias ou times de futebol (como canta Madonna, "music makes the people come together"...) Uma única canção é capaz de atingir o coração de pessoas daqui, do Cazaquistão, do Acre, da Bósnia e daquele pequeno país cuja existência ninguém tem conhecimento. Quantos relacionamentos felizes/infelizes/incompletos/obsessivos uma boa canção pop não é capaz de embalar? Vai saber se "It must have been love" não fez uma indiana chorar desesperadamente ao mesmo tempo em que uniu um casal na Coréia do Norte? A mesma música pode trazer lembranças maravilhosas a um mecânico da França e uma dor excruciante a um executivo de Genebra. Essa democracia - que nivela todo e qualquer ser humano, assim como o amor - é o que mais me fascina na música. Imagino a sensação que é, para um artista, ver uma plateia de milhares de pessoas entoar uma composição sua... Deve ser de arrepiar qualquer cidadão...

E por fim, o último pensamento da noite: é estranha a sensação de, mesmo cercado de centenas e centenas de pessoas, rodeado de amigos e com a alma massageada por um festival de recordações sonoras, sentir-me a mais só das criaturas. Felizmente Marie e Per não cantaram "You don't understand me" porque senão seria insuportável. E ainda bem que não tenho mais o número de certo telefone...

T... miss you....

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ENTERRADO VIVO

Posted by Clenio on 12:41 in
Ryan Reynolds não é um ator carismático nem tão talentoso quanto James Franco. A comparação pode parecer arbitrária, mas não é. Os dois jovens atores fizeram trabalhos semelhantes em 2010, em filmes com resultados bem diferentes em termos de crítica. Enquanto "127 horas", estrelado por Franco concorreu a 6 Oscar - incluindo melhor filme e ator - o longa de Rodrigo Cortes - que tem Reynolds como protagonista - teve que contentar-se com um prêmio de roteiro concedido pelo National Board of Review e com alguns elogios da imprensa especializada. Nenhum dos filmes foi um êxito comercial - o que pode ser explicado por seu formato claustrofóbico - mas qualquer espectador percebe de longe o quanto a obra de Danny Boyle é superior a "Enterrado vivo".

A trama do filme é simples como convém um motorista de caminhão americano é pego como refém em uma emboscada no Iraque e é enterrado vivo enquanto seu resgate de 5 milhões de dólares não é pago. Munido apenas de um telefone celular e um isqueiro, Paul Conroy (vivido com garra mas sem simpatia pelo ex-senhor Scarlett Johansson) tenta ajudar o governo dos EUA a localizá-lo e, ainda mais importante, luta por sua vida e busca contato com a família. Logicamente a bateria do telefone não durará para sempre, assim como o oxigênio do caixão, o que deixa sua tarefa bastante complicada.

É inegável que a direção de Rodrigo Cortes é admirável, uma vez que absolutamente toda a ação do filme se passa em um exíguo caixão sob a terra. Não perder o pique não é missão das mais fáceis, principalmente em uma época em que a plateia anda exigindo mais e mais ação. No entanto, apesar de estender por tempo demais a narrativa, Cortes sabe segurar a atenção do público até o final avassalador. O maior problema é, sem dúvida, a falta de carisma de Reynolds, que, ao contrário de James Franco, não ganha a audiência nem mesmo em seus momentos de maior desespero. "Enterrado vivo" é um filme interessante, mas não assista de jeito nenhum se sofrer de claustrofobia...

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A SÉTIMA ALMA

Posted by Clenio on 15:49 in
Os fãs do gênero suspense que mal podem esperar pela estreia de "Pânico 4", marcada para o próximo dia 15 de abril tem que estar apreensivos. O filme imediatamente anterior de seu diretor e criador Wes Craven é uma das coisas mais medonhas já realizadas no cinema americano, capaz de constranger até o menos exigente espectador. "A sétima alma" não é apenas ruim. Sua união de um roteiro péssimo, um elenco sofrível e uma trama sem pé nem cabeça fazem dele uma bomba absoluta, que não serve nem ao menos de aperitivo enquanto não chega a metade do mês.

A trama oca criada por Craven - que também é pai do hoje humilhado Freddy Krueger - se passa em uma cidade do interior dos EUA que é assombrada pelas lembranças de uma trágica noite, ocorrida 16 anos antes, quando um psicopata, antes de morrer, jurou voltar para matar as crianças nascidas na noite de sua morte. Quando os adolescentes começam a morrer violentamente, o jovem Bug (Max Thieriot, um Ethan Hawke sem talento) passa a ter visões dos assassinatos, ficando em sérias dúvidas se tudo não faz parte de sua imaginação ou se a alma do serial killer penetrou na sua.

Toda a criatividade que Craven demonstrou na série "Pânico", que reinventou de forma irônica o gênero "terror adolescente" parece ter se esvaído em "A sétima alma". Os crimes são mostrados sem qualquer resquício de inteligência, as personagens são totalmente destituídas de personalidade e o roteiro é de uma pobreza franciscana. Torçamos fervorosamente que a quarta parte da série mais divertida de Craven não siga esse mesmo caminho.

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UMA MANHÃ GLORIOSA

Posted by Clenio on 22:29 in
"Daybreak" é um programa matutino de TV nos moldes do "Mais Você". Apresentado pela Colleen Peck (Diane Keaton), ele precisa urgentemente aumentar sua audiência e a contratação da jovem e dedicada - para não dizer obcecada por trabalho - Becky Fuller (Rachel McAdams) parece ser a solução ideal. Ágil, prestativa e criativa, ela tem a ideia de fazer a quase fútil Colleen dividir a bancada do programa com o prestigiado e respeitado Mike Pomeroy (Harrison Ford), para desespero do veterano repórter- considerado pelos colegas como a terceira pior pessoa do mundo. Pomeroy considera o "Daybreak" o degrau mais baixo que sua carreira pode atingir e, obrigado por contrato a apresentá-lo, passa a dar um trabalho hercúleo à nova produtora, que ainda precisa lidar com um romance iniciante com um colega, Adam Bennett (Patrick Wilson).

Essa é a história de "Uma manhã gloriosa", uma mistura de comédia romântica com crítica azeda à televisão, dirigida pelo inglês Roger Michell, que tem no currículo tanto o delicioso "Um lugar chamado Notting Hill" quanto "Amor para sempre", a tenebrosa adaptação do sensacional romance de Ian McEwan. Sem a mesma verve cômica demonstrada no filme com Julia Roberts - e nem tampouco seu excelente elenco de apoio e seu roteiro inteligente - Michell não consegue mais do que estampar um tímido sorriso no rosto do espectador, devido basicamente ao talento de Rachel McAdams, que além de linda, é uma atriz ainda pouco valorizada pela indústria. Atuando ao lado de nomes consagrados como um envelhecido Harrison Ford e uma subaproveitada Diane Keaton, McAdams não fica a desejar, ainda que nenhuma das histórias criadas no roteiro seja devidamente desenvolvida. "Uma manhã gloriosa" é apenas isso, uma comédia agradável, mas que não cumpre tudo que seu elenco estelar promete. Como sessão da tarde, funciona.

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HOMENS EM FÚRIA

Posted by Clenio on 22:20 in
É de sentir pena constatar que Robert De Niro, um dos mais extraordinários atores do cinema americano, está preso a filmes tão medíocres como este "Homens em fúria". Além de chato, a nova obra de John Curran - que também comandou o enfadonho "Tentação", com Mark Ruffalo e Naomi Watts - é pedante e tem uma psicologia de botequim capaz de fazer corar qualquer um. E o pior é pensar que, como co-astro de De Niro, está outro grande ator, Edward Norton. E nem mesmo a chance de ver esses dois monstros contracenando é capaz de disfarçar a extrema frustração quando os créditos finais surgem na tela.

A história do filme é até razoavelmente interessante: às vésperas da aposentadoria, o oficial de condicional Jack Mabry (De Niro) tenta ser convencido pelo prisioneiro Gerald Creeson (Norton) a ajudá-lo a sair da cadeia - para onde foi mandado após matar cruelmente os avós - e recomeçar a vida. Sentindo uma certa frieza do oficial em colaborar com seus planos, Creedson convence sua bela e fogosa esposa, Lucetta (Milla Jovovich) a seduzí-lo. Obedientemente, a jovem cumpre o prometido, e a vida do regrado Mabry - que é casado com a religiosa Madylyn (Frances Conroy) - fica intimamente ligada a do violento presidiário.

Repleto de psicologismos rasos, a trama não empolga nem excita, e por mais que os dois protagonistas façam o possível e o impossível para dar veracidade às personagens o ritmo devagar/quase parando não ajuda nem um pouco. E o final, então, é de dar vontade de socar o roteirista e proibí-lo de escrever qualquer outra coisa na vida - o que é uma surpresa, uma vez que a primeira sequência, que mostra uma cena do passado entre o casal Marbry, tem clima e é surpreendente. Infelizmente, é mais um tiro n'água na carreira de De Niro - que, precisa urgentemente de um novo fôlego na carreira.

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