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"FLOR DE OBSESSÃO" E A MAGIA DO TEATRO
Posted by Clenio
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TEATRO
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Mais do que estar no palco interpretando cenas de duas peças de repercussão distintas - a quase desconhecida "A mulher sem pecado" e a consagrada "Toda nudez será castigada" - eu estava saindo da minha realidade para embarcar em mundos novos, em dramas muito mais potentes e trágicos, atravessando a fronteira entre o real e o sonho. Dançar um tango com Thai Ribeiro e tentar convencer Ramiro Corrêa de que o "sexo é uma coisa nobre, linda..." me tiraram de Porto Alegre, me jogaram em um universo único, onde prostitutas, gigolôs, tias solteironas, travestis, colegiais virginais com pensamentos lúbricos e famílias disfuncionais convivem pacificamente e se esbarram constantemente, em um jogo - talvez a melhor definição de todas - de onde todos saem vitoriosos. Todos ali fizeram gols, todos os 26 jogadores tiveram seu momento de atacante e de zagueiros. Todos driblaram a timidez, a insegurança, as limitações e os medos para, diante de uma plateia lotada, fazerem seus gols de placa. Todos ali estavam loucos, todos ali estavam dando o melhor de si, todos se entregaram alucinadamente ao prazer de teatrar, de brincar de ser outra pessoa, de alucinar por duas horas. E essa união, essa energia única que uniu quase 3 dezenas de pessoas de origens, pensamentos e ideais diferentes me faz ter a certeza ainda maior de que estou no caminho certo para encontrar a minha felicidade profissional.
Depois desse final de semana eu só posso agradecer a cada um dos meus colegas por terem me dado a chance de conhecê-los, de ter feito exercícios com eles, de tê-los visto crescer e se aprimorar até que o grande dia chegou. Não foi com todos que tive uma relação mais próxima - e deixo minha mea culpa aqui, para a posteridade - mas em alguns encontrei uma sintonia que certamente nos manterá unidos como profissionais e amigos. Eis outro milagre do teatro: colocar em meu caminho aqueles que certamente não sairão dele nunca mais. Obrigado, teatro. E obrigado a todos que aplaudiram mais uma vez a transformação de uma ficção literária em uma realidade imaginada.